Publicidade

Correio Braziliense

Marielle: um ano depois do crime, investigação entra em nova fase

Segunda etapa de investigações cumpriu 16 mandados autorizados pela Justiça, cinco pessoas foram ouvidas na Delegacia de Homicídios


postado em 14/03/2019 06:00

Policiais carregam caixas apreendidas em endereço ligado a suspeito de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil )
Policiais carregam caixas apreendidas em endereço ligado a suspeito de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes (foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil )

 

Após um ano do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a investigação do caso chega a uma nova fase. A segunda etapa começou ontem — um dia depois da prisão de dois suspeitos de ter cometido os homicídios, o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz — com novos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro.

O foco dos agentes era apreender documentos, mídias eletrônicas, celulares, armas e munições de pessoas identificadas, na investigação, por ter ligação com os suspeitos. Ao todo, foram 16 mandados autorizados pela Justiça. Cinco pessoas foram ouvidas na Delegacia de Homicídios (DH). Entre eles, estão dois policiais militares, um bombeiro e dois empresários.

A continuidade da investigação, no entanto, não terá mais a presença do delegado Giniton Lages à frente do caso. Na tarde de ontem, o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), informou que o delegado não participará da segunda etapa da apuração do crime. Witzel disse que indicou Lages para um intercâmbio de quatro meses na Itália. “Ele não está sendo exonerado”, frisou o governador, que também garantiu que Lages não está sendo afastado. “Ele encerrou uma fase da investigação e, agora, outra autoridade vai assumir o caso para, eventualmente, identificar o mandante do crime”, completou.

A Polícia Civil informou apenas que o delegado sairá de férias na segunda-feira. Nenhum nome foi ainda indicado para conduzir as investigações durante esse período. Em conversa com o Correio, o deputado federal Marcelo Freixo (Psol-RJ), colega de partido de Marielle, avaliou a substituição do delegado como positiva. “Tivemos muitos problemas nessa primeira fase. Um ano é muito tempo para chegar apenas a quem praticou o crime. É só o primeiro passo”, comentou.

No entanto, Freixo reforçou que a prisão dos suspeitos é importante para chegar ao mandante. “Se não chegarmos a quem mandou matar Marielle, não valeu de nada a investigação”, afirmou. “Não foi apenas um crime contra uma parlamentar, mas contra a democracia, contra a República”, ressaltou.

Manifestações

Várias manifestações e homenagens a Marielle estão programadas para hoje no país. Às 10h, uma missa na Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, lembrará a morte da vereadora e de Anderson Gomes. Haverá ainda uma série de protestos na capital carioca, a maior parte programada para o período da manhã. Em Brasília, o evento “365 dias sem Marielle” está marcado para as 12h na Praça Zumbi dos Palmares, localizada no Conic. Haverá distribuição de 365 placas com o nome da vereadora.

O PSol, partido de Marielle Franco, também planeja atos como forma de homenageá-la e pedir Justiça. Um ato silencioso ocorrerá no plenário da Câmara dos Deputados por volta de 11h. Na próxima segunda-feira, será realizada uma sessão solene também às 11h para lembrar as vítimas. Na Câmara Legislativa do Distrito Federal, uma sessão solene está programada para hoje às 19h.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade