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Correio Braziliense

Polícia pede apreensão de jovem suspeito de ajudar atiradores de Suzano

Adolescente de 17 anos teria participado do planejamento da ação. Massacre deixou 10 pessoas mortas, em Suzano (SP)


postado em 14/03/2019 18:11 / atualizado em 15/03/2019 17:43

(foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
(foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
 
A Polícia de São Paulo pediu a apreensão de um terceiro jovem suspeito de ter participado do planejamento do ataque a uma escola em Suzano (SP), ocorrido nessa quarta-feira (14/3). As investigações apontam que o rapaz participou de encontros com os dois autores do massacre, em um estacionamento a duas quadras do colégio. Ao todo, 10 pessoas morreram na tragédia.

O terceiro de 17 anos também é ex-aluno do colégio e estudou com Guilherme Taucci, que tem a mesma idade. Ele já foi ouvido pela polícia e a apreensão depende de decisão da Justiça. De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, o crime estava sendo planejado ao menos desde novembro e as conversas entre os comparsas ocorriam principalmente de forma presencial, já que moravam perto um do outro. 
 
Os encontros do rapaz com Guilherme e Luiz Henrique Castro, 25, aconteceram entre os dias 21 e 25 de fevereiro, em um estacionamento que teria servido de base para o planejamento do ataque, conforme informações do portal da revista Veja. Segundo o dono do estacionamento, os rapazes costumavam chegar ao local por volta da 0h e ficavam até as 4h. Nas últimas vezes em que estiveram por lá, eles pediram para deixar o veículo em uma vaga enconstada na parede e escondida das câmeras de vigilância.
 
Os jovens pagaram R$ 300 para usar o estacionamento por 15 dias. O prazo venceu no dia 7 deste mês, última vez em que estiveram no local. O carro era o mesmo usado no dia do ataque à escola, um Chevrolet Onyx branco. O proprietário do estacionamento, que entregou os registros de entrada e saída dos rapazes à polícia, disse que eles não fizeram nada que levantasse suspeita e, inclusive, conhecia Guilherme, já que ele costumava deixar carros da locadora do tio — que também foi assassinado no massacre — no local.
 

Internet 

A Polícia ainda realiza perícia nos equipamentos apreendidos para apurar a suspeita de que fóruns da deep web incitaram a tragédia. "Eles não se sentiam reconhecidos na comunidade que faziam parte e queriam agir como em Columbine, com crueldade. Este era o principal objetivo: a repercussão", disse Fontes.

O delegado detalhou que a besta, o arco e flecha, o machado e as roupas táticas foram adquiridos pelo site Mercado Livre, plataforma que permite vendas diretas entre comerciantes e consumidores. 

Ataque

O tiroteio deixou ao menos 10 mortos, incluindo estudantes e os dois responsáveis pelo ataque, identificados como os ex-alunos Guilherme Monteiro, 17 anos, e Luís Henrique de Castro, 25. Há ainda pessoas feridas, que foram levadas a hospitais da região.
 
O colégio alvo do ataque é Escola Estadual Raul Brasil, que leciona para crianças e adolescentes dos ensinos fundamental e médio. Segundo o coronel Marcelo Salles, comandante-geral da PM de São Paulo, os dois atiradores primeiro atacaram um dono de locadora de carros próximo à escola. O empresário, que é tio de um deles, foi levado ao hospital e submetido à cirurgia, mas não resistiu, sendo a primeira vítima.
 
 
Em nota, o Mercado Livre diz que se solidariza com a dor dos familiares e diz que se colocou à disposição das autoridades para colaborar nas investigações. Veja a nota na íntegra:
 
"O Mercado Livre compartilha da indignação e da tristeza do povo brasileiro diante do massacre ocorrido em Suzano. Consternados com a informação de que itens utilizados nesta ação poderiam ter sido adquiridos em nossa plataforma, fizemos contato com as autoridades policiais e colocamos-nos à disposição para colaborar com a investigação.

Ressaltamos que os equipamentos mencionados são amplamente utilizados em atividades legítimas como, por exemplo, para a prática de esportes (arco e flecha), cutelaria (machadinha) e marcenaria (machado). O Mercado Livre repudia o uso ilícito desses equipamentos.

O Mercado Livre destaca ainda que os Termos e Condições de Uso de sua plataforma estão de acordo com o disposto na legislação brasileira e que todos os anúncios do site trazem um botão de denúncia no canto inferior direito para que qualquer pessoa possa apontar eventuais práticas contrárias a esses Termos. Diante de uma denúncia, o anúncio é analisado, removido e o usuário infrator pode ter seu cadastro inabilitado." 
 
Com informações da Agência Estado 

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