Publicidade

Correio Braziliense

Vizinhos da escola abriram casas para receber alunos que fugiam de ataque

Moradores próximos a Escola Estadual Professor Raul Brasil relatam os momentos


postado em 15/03/2019 08:40 / atualizado em 15/03/2019 08:41

(foto: Nelson Almeida/AFP)
(foto: Nelson Almeida/AFP)
 

 

A estudante Mayara Diaciunas, de 22 anos, estava em seu quarto quando ouviu algo que parecia um disparo. Como a família tomava o café da manhã tranquilamente, não saiu de lá para ver o que estava acontecendo. Depois que sua tia viu, no circuito interno de câmeras, que jovens pulavam o muro da escola, a família se mobilizou para ajudá-los.

"A gente abriu o portão e os adolescentes vieram correndo. Primeiro, entraram quatro meninas e um rapaz. Colocamos os cinco para dentro e fechamos o portão." Ela relata que os jovens estavam muito nervosos e mal conseguiam falar. A cada novo disparo, eles gritavam.

"Demos água com açúcar e eles ficaram tentando falar com a família e com os amigos que ainda estavam na escola."

Muito assustados, os adolescentes relataram que chegaram a ser seguidos pelo jovem que portava um revólver, mas conseguiram escapar quando ele foi recarregar a arma.

"O garoto contou que não conseguiu pular o muro e se escondeu. Ele viu o atirador apontando para a cabeça do pessoal. Só depois ele conseguiu sair de onde estava e pular o muro."

Segundo Mayara, houve um momento de silêncio e os disparos foram retomados. "Nessa hora, fomos para fora e abrigamos mais duas meninas."

Ver galeria . 11 Fotos Nelson Almeida/AFP
(foto: Nelson Almeida/AFP )


Ela calcula que os alunos ficaram na sua casa por 30 minutos. "Vi quando o garoto foi embora. Ele nos abraçou, mas não sei o nome de nenhum deles."

O aposentado Carlos Augusto Winkler, de 59 anos, relembra que a filha de 15 anos chegou da aula de francês no Centro de Estudo de Línguas (CEL), que funciona na escola, e que, 15 minutos depois, reconheceu o som do primeiro tiro.

"Ouvi um disparo e tentei localizar de onde tinha vindo. Então, ouvi outro. O portão estava encostado. Abri e fui chamando para dentro, tomando cuidado com quem eu deixava entrar. Uns 25, 30 jovens ficaram aqui."

Segundo ele, alguns estavam machucados. "Teve um menino que foi baleado no rosto. Soube que ele está internado, mas está se recuperando."

Winkler viu ainda a chegada do policial à paisana que foi ao local. "Ele veio andando encostado no muro. Depois, chegou a Polícia Militar." Sobre o retorno da filha às aulas, ele diz: "A preocupação já é constante". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade