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Correio Braziliense

Justiça interdita atividades em mina da Vale em Ouro Preto

O pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi motivado por informações enviadas pela Tüv Süd, consultoria alemã, à mineradora, indicando que, após rever os fatores de segurança da Barragem do Doutor, que fica dentro do empreendimento, no dia 13 de março, 'seria necessária a adoção imediata de medidas para evitar risco social e ambiental'


postado em 15/03/2019 19:03

Barragem do Doutor está localizada dentro do complexo da Mina Timbopeba, em Ouro Preto(foto: Leandro Couri/EM/D.A.Press)
Barragem do Doutor está localizada dentro do complexo da Mina Timbopeba, em Ouro Preto (foto: Leandro Couri/EM/D.A.Press)

Mais uma barragem da Vale foi interditada em Minas Gerais. Desta vez, a Justiça determinou a paralisação das atividades na Mina Timbopeba, no distrito de Antônio Andrade, em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais. O pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi motivado por informações enviadas pela Tüv Süd, consultoria alemã, à mineradora, indicando que, após rever os fatores de segurança da Barragem do Doutor, que fica dentro do empreendimento, no dia 13 de março, “seria necessária a adoção imediata de medidas para evitar risco social e ambiental”. Continua depois da publicidade

Inventário da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) de 2018, mostra que a Barragem do Doutor tinha, naquela época, 75 metros de altura e volume de rejeitos no reservatório de 35 milhões de metros cúbicos. A estrutura foi concebida para o armazenamento dos rejeitos gerados na usina de beneficiamento de Timbopeba. 

Segundo o MPMG, a estrutura fica próxima a núcleos urbanos, entre eles, o distrito de Antônio Pereira, “havendo pessoas residentes ou transitando na zona de autossalvamento, ou seja, na região do vale à jusante da barragem a uma distância que corresponda a um tempo de chegada da onda de inundação (lama) igual a trinta minutos ou 10 km”. A promotoria ressalta que não haveria tempo, em caso de rompimento das estruturas, para uma intervenção das autoridades competentes em situações de emergência, “de forma que as pessoas tem que se salvar sozinhas em caso de tragédia, sendo que os avisos de alerta são da responsabilidade do empreendedor”, disse o órgão.

Evacuação

Na decisão, a juíza determinou que a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) seja notificada para fazer uma vistoria nas estruturas. O coordenador-adjunto do órgão, tenente-coronel Flávio Godinho, afirmou que recebeu a determinação judicial. No entanto, até o presente momento, segundo ele, o órgão não irá tomar qualquer medida, já que a Vale não alterou o fator de segurança da mina. Segundo Godinho, a Defesa Civil não atesta a solidez da estrutura, o que é uma responsabilidade da mineradora.

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