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Correio Braziliense

Enchente atinge construções históricas da parte baixa da Cidade de Goiás

O Hospital São Pedro é o ponto de maior preocupação com a ação das águas provenientes das fortes chuvas


postado em 24/03/2019 20:37 / atualizado em 25/03/2019 10:25

(foto: Facebook/ Rafael Lino)
(foto: Facebook/ Rafael Lino)
Mais conhecida como Goiás Velho, a Cidade de Goiás voltou a temer uma enchente. O Rio Vermelho, que corta o centro histórico, transbordou na noite de sábado (23), em função de fortes chuvas. Ele passou sobre pontes de madeira e ameaçou invadir casarões centenários, como o que serviu de moradia à poetisa Cora Coralina (1889-1985), transformada em museu, à beira do Rio Vermelho.

O ponto de maior preocupação foi próximo ao Hospital São Pedro, outra construção centenária. Distante 310km de Brasília, Goiás Velho teve o centro histórico tombado pela Unesco por ser considerado Patrimônio da Humanidade. Moradores fizeram vídeos da cheia do rio e cederam as imagens ao Correio

A chuva, que começou por volta das 23h de sábado, terminou às 2h deste domingo (24). Apesar do susto, não houve dano ao patrimônio nem registro de pessoas ilhadas ou em situação de risco, segundo o Corpo de Bombeiros de Goiás. No entanto, a corporação informou haver possibilidade de nova enchente, com as chuvas desta noite.

Patrícia Mousinho, educadora ambiental de 53 anos, estava presente quando o curso das águas se intensificou na cidade. Embora ela considere a força das águas um “espetáculo belíssimo” que mostra toda a força do rio, ela também faz ressalvas. “O desmatamento de nascentes e matas ciliares têm gerado um grande assoreamento do rio Vermelho. Há verdadeiras ilhas atualmente no trecho que corta o Centro Histórico”, explicou. 

Para ela, a proteção da vegetação é fundamental e urgente. “Fala-se em remover o sedimento acumulado, mas é importante que isto seja procedido de estudos técnicos, caso contrário, pode ser pior a emenda que o soneto”, informou. Ela frisou a preocupação que sente com os impactos ambientais que o rio vem sofrendo. 

O cinegrafista Vincent Glen Gielen, de 28 anos, também presenciou o caso e teve a oportunidade de fazer imagens do caso. Ele lembrou que esse tipo de alagamento é comum na região. “Acho que acontece, no mínimo, uma vez por ano. Quem mais sofre impacto mesmo é quem mora lá do lado do rio”, disse. Ele explicou que foram muitas horas de chuva e, por volta das 23h, ocorreu o pico, quando as águas avançaram sobre as construções.  Confira as imagens produzidas por Vincent:


Danos irrecuperáveis em 2002

Na virada de 2001 para 2002, Goiás Velho sofreu perdas irreparáveis de construções e objetos centenários com o temporal que caiu por dois dias. O grande volume de água fez transbordar o Rio Vermelho, que corta a cidade, e atingiu todas as construções ribeirinhas, entre elas a casa de Cora Coralina. O muro da residência foi derrubado e a edificação foi invadida pela correnteza, que levou com ela objetos e anotações pessoais insubstituíveis da poetisa.

A cidade havia recebido o título de Patrimônio da Humanidade em dezembro, menos de um mês antes da inundação. A reconstrução das residências foi motivo de grande briga entre a prefeitura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pois muitas das adaptações feitas nas casas nos últimos anos não foram mantidas no projeto de restauração.

Mais estragos em 2011

 As chuvas castigaram Goiás Velho novamente em janeiro de 2011. O transbordamento do Rio Vermelho atingiu ao menos 30 casas da área tombada. Escoras tiveram que ser colocada para amparar seis delas. Outras duas, com mais de 200 anos, não resistiram aos temporais e desabaram. Uma das três seculares pontes de madeira foi interditada por causa do risco de desabamento. Parte do calçamento de pedra também foi danificada.

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