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Correio Braziliense

Nomeação de ministro causa preocupação, avaliam especialistas

Especialistas mostram preocupação com nomes que integrarão a equipe do novo ministro da Educação. Cinco dos seis anunciados são da área econômica


postado em 11/04/2019 06:00 / atualizado em 10/04/2019 23:46

MEC divulgou nota com o nome dos secretários definidos por Weintraub: sem experiência em educação (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )
MEC divulgou nota com o nome dos secretários definidos por Weintraub: sem experiência em educação (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )


Com a promessa de acalmar os ânimos e colocar a máquina para rodar, o novo ministro da Educação, Abraham Weintraub, divulgou a equipe ontem, no primeiro dia de trabalho. Ao todo, seis nomes foram anunciados para ocupar cargos em secretarias da pasta. Para especialistas da área, no entanto, as nomeações preocupam, já que seguem o exemplo do próprio ministro, que não tem grande experiência no setor da educação.

Para os nomes do segundo escalão do MEC, Weintraub anunciou Antonio Paulo Vogel de Medeiros (Secretaria Executiva) e Rodrigo Cota (secretário executivo adjunto). Arnaldo Barbosa de Lima Junior assume a Secretaria de Educação Superior (Sesu); Janio Carlos Endo Macedo, a Secretaria de Educação Básica (SEB); Silvio José Cecchi, a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres); e Ariosto Antunes Culau, a Secretaria da Educação Profissional e Tecnológica (Setec).

“Nenhum deles tem experiência com educação, exceto Silvio José, que já chegou a trabalhar no MEC”, afirmou o doutor em psicologia da educação e pesquisador do Instituto Expert Brasil, Afonso Galvão. Cinco dos seis nomes anunciados vieram da área da economia. Três deles têm formação na área, a mesma do ministro. Weintraub, inclusive, trabalhou no Banco Votorantim por 18 anos, onde foi economista-chefe e diretor.

“Quando eu vi os currículos dos nomeados, fiquei muito assustada com todos eles. Veio-me à mente que o antigo nome da pasta ‘Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública’, quando foi criada, em 1930, seria mais adequado para esta equipe”, disse Catarina de Almeida Santos, professora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB).

“Ele trouxe pessoas do meio em que ele andou, gente que não é da educação, e educação não é lugar para amadores”, completou a professora. Galvão concorda e alerta. “Ele não se cercou de nomes técnicos. Em vez disso, colocou gente parecida com ele. De um ponto de vista curricular, os indicados demonstram que não têm preparo para esse tipo de trabalho.”

Essa era uma das preocupações do fundador do movimento Todos pela Educação, Célio da Cunha, que acredita que o fato de o ministro não ter conhecimento na área da educação pode ser limitador. “Na medida em que ele se cercasse de pessoas experientes, isso poderia ser sanado”, frisou. “Temos inúmeras pessoas competentes tanto na área de educação básica como na superior. É difícil imaginar como será gerida a pasta.” 

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