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Correio Braziliense

'Eu a perdoo', diz mãe de bebê sequestrado em hospital de Pernambuco

O domingo de Páscoa ganhou um novo significado para Luana. Além de marcar a ressurreição de Jesus, passou a lembrá-la o renascimento do filho


postado em 22/04/2019 15:04

Luana voltou ao Imip e concedeu entrevista(foto: Peu Ricardo/Diário de Pernambuco )
Luana voltou ao Imip e concedeu entrevista (foto: Peu Ricardo/Diário de Pernambuco )
Com as mãos trêmulas, a autônoma Luana Maria da Silva, 30 anos, ainda revive os últimos dias sempre que volta a olhar o rosto do primeiro filho, Gabriel Luciano de Melo, recém-nascido que completou duas semanas de vida nesse domingo (21/4). Quando chegou aos 15 dias, o menino foi devolvido à mãe, depois de mais de 24 horas sequestrado.

O domingo de Páscoa ganhou um novo significado para Luana. Além de marcar a ressurreição de Jesus, passou a lembrá-la o renascimento do filho. "Bateu um medo de perder o meu menino. Fico querendo estar perto dele o tempo todo agora", disse em entrevista ao Diário de Pernambuco, condedida na manhã desta segunda-feira (22/4), em frente ao Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), bairro dos Coelhos, área central do Recife, de onde Gabriel foi levado por uma mulher que confessou o crime. "Eu a perdoo", garante Luana.

Quando você percebeu que o seu filho tinha sido levado?
Meu marido estava no refeitório do Imip. Ele ia comer e decidiu trazer um bolo para mim. Nessa hora, eu estava amamentando. Quando ele tentou subir para o quarto andar, onde meu filho estava comigo, o segurança o barrou porque ele estava com um garfo e uma faca. Ele (o marido) se alterou e houve uma briga. O segurança bateu nele, que ficou com essa parte (apontando para sobrancelha) cortada. Fiquei sabendo da confusão. Desci para levar uma bolsa para o meu marido ir embora. Na hora, outras estavam mães no quarto. Umas seis. Eu pedi para um olhar o meu filho e sai. Foi coisa de cinco minutos no máximo. Quando voltei, ele não estava mais lá.

O que a mulher que estava tomando conta dele falou?
Meu primeiro pensamento quando vi que ele não estava lá foi que ele tinha sido levado por uma enfermeira para comer. Uma pessoa disse que tinha sido isso, mas essa mãe que eu pedi para olhá-lo me disse que uma mulher se apresentou como avó dele e o levou.
 
Existia a possibilidade de ser uma das avós dele?
Imediatamente eu sabia que tinha algo errado. A minha mãe e a minha sogra sequer estão no Recife. Somos de Paudalho. Foi quando eu me desesperei. Isso aconteceu umas 19h do sábado (20).
 
Depois disso, o que aconteceu?
Eu disse que tinha acontecido algo com o meu filho. Infelizmente, não recebi o apoio que eu esperava do hospital. As enfermeiras sequer vieram saber o que estava acontecendo comigo. As mães que estavam no quarto me ajudaram mais. Foi feita a queixa na polícia. Quando Gabriel foi achavo, o próprio delegado veio me entregar. Pretendo processar o Imip por tudo que aconteceu aqui. Tiraram o meu filho de dentro do hospital. Isso é inadmissível.

Vocês estão de volta ao Imip. Por quê?
Meu filho nasceu prematuro. Nasceu de oito meses (no dia 7 de abril). Estávamos aqui porque ele precisa ganhar peso. Acredito que ele vai ter alta amanhã (terça-feira, 23), mas ainda precisa ser feita uma pesagem para isso. Meu marido já foi e está aguardando a alta para nos pegar aqui.

Qual foi a sensação de ter o seu filho nos braços novamente?
Não consigo nem descrever direito. Ele é o meu primeiro filho. Não tenho palavras para dizer o que é olhar para o rostinho dele novamente. Eu fico olhando, quero ficar com ele no braço. A vontade é de não sair de perto porque fiquei com muito medo depois disso que aconteceu.

E em relação à mulher que confessou o crime?
É muito triste querer ter um filho e não poder. Eu a perdoo porque imagino que a tristeza que ela sente é muito grande, mas não pode ser assim. Essa tristeza não justifica pegar o meu filho nem o filho de ninguém. Espero que a justiça seja feita, mas que ela consiga ficar em paz. Espero também que ninguém faça isso que ela fez. É uma dor sem tamanho não saber o que aconteceu com o seu bebê. Bom, agora preciso voltar. Já estou longe dele há alguns minutos e tenho que retornar ao berçário.    

Sobre o caso, o Imip informou, em nota, que vem tomando várias medidas de proteção aos usuários, e mencionou a quantidade de pessoas que circulam diariamente no complexo.

Confira a nota na íntegra:


"O IMIP informa que  vem tomando uma série de medidas de proteção aos usuários nos últimos anos.

São elas:
1) Instalação de câmeras nos principais pontos do hospital; 
2) Ampliação no contingente de porteiros; 
3) Aumento da iluminação interna;
4) Das seis entradas de acesso ao hospital, foram fechadas quatro vias de pedestres para aumentar o controle. Atualmente, o IMIP tem duas entradas;
5) Exigência da obrigatoriedade da utilização de crachá para melhor identificar o quadro funcional da Instituição;
6) Utilização de pulseiras de identificação por pacientes e acompanhantes.

O IMIP lembra ainda que circulam diariamente cerca de 20 mil pessoas pelo seu complexo hospitalar."

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