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Correio Braziliense

Saiba como será a cobrança da bagagem de mão fora de padrão nos aeroportos

A partir de hoje, empresas aéreas obrigarão passageiros a despachar bagagem que não esteja no padrão para ir na cabine. Valores variam de R$ 59 a R$ 220 nas companhias. Especialista diz que, nos bagageiros internos, não cabe uma por cliente


postado em 26/04/2019 06:00 / atualizado em 25/04/2019 23:52

Se a medida estivesse valendo ontem, Lúcia Teles seria obrigada a despachar a mala, segundo o fiscal(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Se a medida estivesse valendo ontem, Lúcia Teles seria obrigada a despachar a mala, segundo o fiscal (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Passageiros que embarcarem no Aeroporto Juscelino Kubitschek devem ficar atentos. A partir de hoje, as bagagens de mão que estiverem acima do tamanho padrão terão que ser despachadas, estando sujeitas a cobranças de acordo com o tipo de franquia contratado para a viagem. Ontem, foi o último dia de orientação aos passageiros em Brasília sobre o que pode ser transportado na cabine durante o voo. Outros três aeroportos também aderiram à medida: Afonso Pena (Curitiba); Viracopos (Campinas-SP) e Aluízio Alves (Natal). As empresas aéreas brasileiras começaram, neste mês, a intensificar a fiscalização do tamanho das bagagens de mão em voos nacionais.

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o objetivo da medida é agilizar o fluxo dos clientes nas áreas de embarque e evitar atrasos. As malas de bordo ou de mão podem ter 55cm de altura por 35cm de largura e 25cm de profundidade e peso máximo de 10 kg (veja figura ao lado). Essas dimensões incluem as rodinhas e alças. Além da mala, o passageiro pode levar mais um item pessoal, como uma mochila pequena ou uma bolsa.

Importante ressaltar que as companhias disponibilizam tarifas que incluem gratuitamente o despacho de bagagem. Os clientes podem verificar, antes da viagem, se o tipo de tarifa inclui a bagagem despachada, que pode ser adquirida a qualquer momento com desconto pelos canais digitais das companhias. Nas quatro aéreas — Latam, Gol, Azul e Avianca Brasil —, o valor da bagagem despachada varia entre R$ 59 e R$ 220.

Em 2016, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) publicou uma resolução que dá ao passageiro o direito de levar na cabine uma bagagem de mão de até 10 quilos e autorizou a cobrança de bagagens despachadas. Atualmente, bagagens de até 23kg em voos nacionais e 32kg em internacionais são cobradas à parte, com um valor adicional ao da passagem. Cada empresa estabelece o critério de cobrança e as dimensões das malas.

Pelo Brasil

Alguns aeroportos ainda estão em período de orientação dos passageiros, como o de Confins (Belo Horizonte); Pinto Martins (Fortaleza); Guararapes — Gilberto Freyre (Recife); Val-de-Cans — Júlio Cezar Ribeiro (Belém), que terão a medida implementada a partir de 2 de maio. Os terminais Santa Genoveva (Goiânia); Salgado Filho (Porto Alegre); Congonhas (São Paulo); Galeão — Tom Jobim (Rio de Janeiro)e Santos Dumont (Rio de Janeiro) começarão a obrigar o despacho de malas fora do padrão em 13 de maio. E, por último, em 23 do mês que vem, será a vez do Aeroporto Luís Eduardo Magalhães (Salvador) e Internacional de São Paulo (Guarulhos-SP).

(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)
Segundo Jorge Leal Medeiros, engenheiro aeronáutico e professor da Universidade de São Paulo (USP), mesmo com bagagem de mão dentro do padrão, as aeronaves não comportam uma mala por passageiro. Em um Boeing 737-800, por exemplo, com capacidade para 184 passageiros, os compartimentos na cabine de passageiros transportam cerca de 118 malas padronizadas. Ou seja, se todos levarem uma mala, 66 terão que ser encaminhadas ao porão.

A funcionária pública Lúcia Maria Teles, 68 anos, estava de passagem por Brasília. Ontem retornou para casa, em Salvador. Próximo ao portão de embarque, passou pela orientação sobre o tamanho da bagagem de mão. Se a medida já estivesse valendo, a mala teria de ser despachada por apresentar um ‘estufamento’, segundo o fiscal que a atendeu. “Acho que deve ter um padrão, mas também deveria ter taxas mais baratas. Decidiram cobrar pelo despacho, prometendo reduzir o valor da passagem, mas isso não aconteceu. O problema é que, no fim, sempre sobra para o consumidor”, reclamou.

A funcionária pública Claudina Vasquez, 50, que seguia rumo ao Rio de Janeiro não gostou da novidade, mas de antemão preparou uma mala pequena. “A gente já paga tanto imposto, daí adicionam mais uma coisa. Não dá. Do jeito que estava antes, era melhor. Tudo fluía. Agora, penso que essa é mais uma maneira de ganhar dinheiro em cima do consumidor”, disse.

 

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