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Correio Braziliense

'Uma dor difícil de explicar', dizem parentes de vítimas em Paracatu

Fiéis mortos em igreja evangélica são velados no município mineiro. Quarta vítima do massacre, ex-namorada de assassino será sepultada em Uberlândia


postado em 22/05/2019 13:25 / atualizado em 22/05/2019 17:01

(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
Paracatu (MG) — Três das quatro pessoas mortas no massacre dessa terça-feira (21/5), em Paracatu (MG), foram veladas, nesta manhã de quarta-feira (22/5), no município mineiro e serão enterradas ainda nestaa tarde, no Cemitério Santa Cruz. Rosângela Albernaz, 50 anos; Marilene Martins de Melo Neves, 52; e Antônio Rama, 67, estavam dentro da Igreja Batista Shalom quando Rudson Aragão Guimarães, 39, invadiu o local e abriu fogo contra os fiéis.

O velório de Rosângela e Marilene aconteceu na Funerária São João. Dezenas de amigos e familiares reuniram-se para dar o último adeus às mulheres. O técnico de segurança do trabalho Denerson Pereira, 26, frequentava a igreja e era uma das pessoas mais próximas a Rosângela. Ele se emocionou ao lembrar da amiga. "Ela era como uma mãe para mim. Não tenho família na cidade, e ela sempre me acolheu muito bem. Em todos os cultos ela estava com um sorriso enorme no rosto e deixando a todos nós alegres. Nunca me esquecerei dela", afirmou.

Rosângela deixa marido e duas filhas. Morou por toda a vida em Paracatu, e trabalhava em uma padaria da cidade. Uma prima da vítima, que não quis se identificar, disse que a morte de Rosa, como ela era conhecida, "é uma dor difícil de explicar". "A gente nunca acredita que vai acontecer com alguém da nossa família, ainda mais dentro de uma igreja. A questão não é só o vazio que fica, é imaginar que não temos segurança em lugar nenhum", protestou.

A mesma reclamação partiu do primo de Marilene, o autônomo Renato Martins, 45. "Foi uma coisa lamentável. É impossível de imaginar que alguém em sã consciência entre em um ambiente sagrado e tire a vida de várias famílias, sem mais nem menos. Não consigo descrever o tamanho da minha tristeza. A ficha vai demorar a cair", lamentou. 

Marilene foi a última a morrer nas mãos de Rudson. Ele a manteve como refém e a assassinou assim que percebeu a chegada de policiais militares na igreja. A mulher também era natural de Paracatu. Era casada, tinha dois filhos e trabalhava como comerciante no município mineiro. "A minha prima era exemplar. Uma mulher dedicada à família e que nunca quis mal a ninguém. As saudades serão eternas", completou Renato.

O velório de Antônio foi feito na Funerária São Pedro. Companheira do idoso há 40 anos, a cozinheira Maria Aparecida Loures, 57, era uma das mais emocionadas na cerimônia. "Ele foi um exemplo de pai e esposo, e que nunca virou as costas para a família. O Antônio era um homem de caráter", resumiu a mulher. Antônio era agricultor aposentado, e nasceu em Colorado (RS). Ele tinha três filhos, dentre eles Evandro Rama, pastor da Igreja Batista Shalom, e que seria o alvo inicial de Rudson. Evandro conseguiu escapar da morte e fraturou o pé esquerdo durante a fuga. De acordo com o boletim médico mais recente emitido pelo Hospital Municipal de Paracatu, ele está internado na enfermaria cirúrgica da unidade de saúde, com quadro clínico estável.

Também nesta quarta-feira (22/5), será enterrado o corpo da ex-namorada de Rudson, Heloísa Vieira Andrade, 59, em Uberlândia (MG), cidade natal da vítima e da família dela. Heloísa foi a primeira ser morta. Ela estava na casa da irmã de Rudson, quando ele desferiu um golpe de canivete no pescoço da mulher. 

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