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Correio Braziliense

Vale-tudo de patinete: evento sai do controle e preocupa autoridades em MG

Criado por amigos inicialmente como brincadeira, evento convocado para domingo em BH sai do controle, infesta celulares, atrai centenas de corredores e mobiliza órgãos


postado em 23/05/2019 13:00

(foto: Quinho/Arte EM)
(foto: Quinho/Arte EM)
A novidade que se multiplicou pelas ruas, calçadas, praças e outros espaços púbicos de Belo Horizonte virou febre e gerou uma convocação que começou como brincadeira, se alastrou por grupos de WhatsApp, saiu do controle dos idealizadores e agora mobiliza até autoridades públicas da capital. O “1º GP de Patinete BH”, criado por um grupo de amigos, surpreendeu os próprios idealizadores e ontem já mobilizava mais de 500 pessoas para uma “corrida maluca” que foi inicialmente definida como uma espécie de vale-tudo com os veículos elétricos de duas rodinhas: “Vale tudo! Chutar, furar sinal, pegar rabeta do busão, spray de pimenta, rota própria, dirigir embriagado, uso de entorpecentes, etc.”, diz o anúncio divulgado inicialmente via redes sociais, que chegava a proibir o uso de capacetes, joelheiras e cotoveleiras. 
 
A divulgação do evento, marcado para o próximo domingo, na Savassi, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, viralizou entre smartphones mais rapidamente do que os veículos elétricos. Chamavam a atenção – além do inusitado do evento, que já tem disponibilização de ingressos por site especializado – a premiação não menos curiosa: litros de cerveja e porção de torresmo. Mas nem a BHTrans, empresa que administra a mobilidade na capital, nem a Grow, holding responsável pelos patinetes que cruzam ruas da cidade – às vezes como se já estivessem no grande prêmio – acharam graça. 

Segundo a BHTrans, não houve solicitação de fechamento das vias para o evento. A Guarda Municipal informou que tampouco foi notificada sobre o “GP”. Segundo a Prefeitura de BH, a “corrida maluca” não foi licenciada e o responsável pode ser multado por não obter autorização, que deve ser solicitada no BH Resolve. 

Procurada, a Grow – holding responsável pelas empresas Grin e Yellow, que administra os patinetes elétricos – disse que é “veementemente contra essas práticas e repudia o uso de sua imagem e dos seus produtos nesse tipo de evento”. A empresa afirmou que vai tomar providências em relação ao GP e acrescentou já ter comunicado o site de repasse de ingresso sobre o que considera irregularidades.

Os próprios organizadores foram surpreendidos pelo número de interessados, e rapidamente decidiram impor algum limite à total falta de regras inicial. Até o fechamento desta reportagem, dois grupos no WhatsApp já estavam lotados de “pilotos” em potencial. Eram 514 interessados no vale-tudo em duas rodinhas, que, depois de tamanha repercussão, passou a valer um pouco menos: algumas horas depois de o evento invadir celulares cidade afora, os idealizadores informaram as novas normas, menos divertidas, porém mais responsáveis – “Respeitar as leis existentes e ser feliz na corrida”.  
 
Após a multiplicação de interessados em se alinhar à espera da bandeirada, os organizadores, jovens entre 20 e 25 anos que não quiseram ser identificados, afirmaram que não vão se responsabilizar por possíveis transtornos. “Ao adquirir o ingresso, o comprador afirma ter mais de 18 anos e demonstra estar ciente do risco do evento”, afirma novo texto. A ideia, dizem, é que os perdedores da corrida paguem os prêmios aos ganhadores. O primeiro lugar teria direito a três litros de cerveja e uma porção de torresmo. Para o segundo, a promessa é dois litros da gelada. Em vez da medalha de bronze, o terceiro lugar valeria “um litrão”. 

Com novas regras ou não, a dona dos patinetes continua não gostando da disputa. “A Grow aproveita para lembrar que a Grin e a Yellow seguem todas as regulamentações do Conselho Nacional de Trânsito para operar os seus equipamentos (resoluções 375 e 465). A velocidade é uma delas: patinetes podem circular nas calçadas com até 6km/h ou nas ciclovias e ciclofaixas com velocidade máxima de 20km/h. As empresas, por meio de seus termos de uso, orientam que os usuários sigam essa determinação”, informou, em nota.

“O pedestre é sempre prioridade, por isso a Grow também orienta que os usuários estacionem os patinetes em um dos pontos privados parceiros ou em qualquer local da área de atuação, contanto que tomem cuidado para não atrapalhar o fluxo de quem caminha. Denúncias podem ser feitas pelo app (botão reportar problema) ou via redes sociais”, diz o texto. Ao contrário da convocação inicial para a “corrida maluca” e da disposição de usuários que cruzam calçadas de BH como se estivessem em busca de um troféu, o uso dos equipamentos elétricos tem regras. Confira no quadro acima.
 

Bandeira amarela

Confira dicas da Grow para o uso seguro dos patinetes elétricos

» Antes de sair, planeje o caminho
» Use sempre o capacete bem preso à cabeça e ajustado adequadamente
» Não trafegue com mais de uma pessoa
» A locação de equipamentos exige idade mínima de 18 anos
» Dê sempre preferência ao pedestre, que é o mais vulnerável
» Não use celular nem fone de ouvido enquanto conduz a bike ou o patinete
» Respeite sempre os semáforos e as sinalizações de trânsito
» Jamais conduza a bike ou o patinete se tiver ingerido álcool
» Segure sempre o guidão com as duas mãos
» Esteja atento a irregularidades nas vias, como buracos, bem como galhos e árvores que possam oferecer riscos 
 
*Estagiária sob supervisão do editor Roney Garcia, do Estado de Minas
 
 
 

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