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Correio Braziliense

Custo da escassez de água pode chegar a R$ 518,2 bilhões em 2035

Alerta é do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, que participa do Seminário Segurança Hídrica, promovido pelo Correio Braziliense com apoio da Adasa


postado em 13/06/2019 10:24 / atualizado em 13/06/2019 16:57

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 
Atualmente, o risco econômico da escassez de água é de R$ 228,4 bilhões no Brasil. O montante é bastante elevado, mas, se nada for feito, pode chegar a R$ 518,2 bilhões em 2035. O alerta foi feito pelo ministro de Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, durante o Seminário Segurança Hídrica, promovido pelo Correio com apoio da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa).

Canuto afirmou que o Ministério de Desenvolvimento Regional (MDR) precisa reforçar as campanhas de combate ao desperdício, isso porque o consumo no Distrito Federal aumentou 10% desde o fim da crise que provocou racionamento na capital federal. O ministro ressaltou que saneamento hoje é um tema de extrema relevância e comemorou a resposta rápida do Senado federal, que apresentou um projeto de lei (PL) assim que a Medida Provisória 868/2019, que tratava do novo marco legal do setor, caducou na Câmara dos Deputados.

“Colocar a ANA (Agência Nacional de Águas) como agência definidora das políticas foi uma boa ideia, assim como criar uma regra de transição para as empresas estaduais. O marco vai permitir investimento privado, o que, esperamos, vai levar a universalização do sistema”, disse. No entanto, Canuto destacou que o MDR pretende apresentar outro PL para complementar o que tramita no Senado. 

“A água é um recurso natural limitado dotado de valor econômico e na sua escassez tem prioridade uso humano e animal. A lei prevê gestão descentralizada e participativa”, lembrou. Segundo o ministro, 12% da água doce do planeta está no Brasil, que se configura numa riqueza mundial. “Infelizmente a água não está onde temos mais gente”, destacou.

No país, 67% da água é destinada à irrigação, 9% para consumo humano, 9,5% para indústria e 11% para consumo animal. “Hoje, o risco econômico de uma falta de água é de R$ 228,4 bilhões, mas, se nada for feito, chegará a R$ 518,1 bilhões em 2035”, alertou. O ministro assinalou, ainda, que o Brasil produz uma alta carga de lançamento de esgotos domésticos e industriais. “Deveríamos cuidar melhor dos esgotos e do manejo dos resíduos sólidos”, disse.

Plano nacional


Por conta dos prognósticos assustadores, se nada for feito, o ministro ressaltou a importância das ações do Plano Nacional de Segurança Hídrica e das implementações do MDR para enfrentar a escassez, sobretudo, no Nordeste. “Acredito nos comitês de bacias hidrográficas. O Brasil não é um só, é feito de muitas regiões com necessidades diferentes, que têm que ser tratadas da mesma forma”, explicou.

Conforme o ministro, atualmente 60,9 milhões de brasileiros têm problemas com restrição de água. Em 2035, 73,7 milhões terão oferta reduzida. “Para evitar perda de mais de R$ 500 bilhões em 2035 nas atividades agropecuárias e industriais, com falta d’água, o MDR está fazendo 
166 intervenções”, disse.

Do total, nove ainda precisam de análise, 62 necessitam de ajustes, mas 95 estão no ponto. “Desses, 50 estão em execução, 22 com projeto básico, oito em projeto executivo e 15 em anteprojeto”, enumerou. O valor total é de R$ 26,9 bilhões nas obras, sendo R$ 15,7 bilhões no Nordeste. “Essas infraestruturas vão mudar radicalmente a segurança hídrica do país”, acrescentou.

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