Publicidade

Correio Braziliense

Unidades de preservação do país estão sob ameaça, alerta José Sarney Filho

Em seminário promovido pelo Correio, secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal ressaltou necessidade de se cuidar das bacias e preservar matas ciliares para socorrer os rios


postado em 13/06/2019 12:29

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A atuação do atual governo federal, comprometendo unidades de preservação, trará menos segurança hídrica para o país, alertou o secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal, José Sarney Filho. Ele participa do Seminário Segurança Hídrica promovido pelo Correio, nesta quinta-feira (13/6), com apoio da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa).

“Como sou ambientalista, acho que devemos aprofundar um pouco a questão da segurança hídrica. Grande parte da água é garantida por unidades de preservação. Não poderia deixar de aproveitar este seminário para dizer que essas unidades estão sob ameaça. E isso pode comprometer a segurança hídrica”, afirmou.

Segundo ele, o atual governo não tem a preocupação devida com as unidades de conservação. “O presidente (Jair Bolsonaro) quer acabar com estações ecológicas e cuidar mal da Amazônia”, criticou. Sarney Filho lembrou que a Amazônia interfere no regime de chuvas, além de ser uma “incomensurável fonte curas, pela sua biodiversidade”. 

O secretário chamou a atenção para a necessidade de se cuidar das bacias para diminuir a escassez de água no futuro. “A água não nasce no reservatório. Tem muita gente que acha que nasce no reservatório e vai direto para as torneiras”, brincou. “Mas não. A água nasce nas nascentes, depois corre para pequenos riachos, daí para rios, depois grandes rios e, só então, se faz um reservatório”, disse.

Socorro

Portanto, ressaltou o secretário, para se falar em segurança hídrica, em plena mudança climática, a primeira preocupação é cuidar da geração da água, “Precisamos proteger as nascentes, cuidar das bacias, preservar matas ciliares. Todas as grandes nações do mundo e cidades começaram à beira de rios, mas agora os rios precisam de socorro”, alertou.

Segundo Sarney Filho, um exemplo é o Rio Araguaia. “O atual governador de Goiás (Ronaldo Caiado), ligado ao agronegócio, agora está vendo o que ocorreu com o rio, porque ninguém se preocupou. Estou citando um exemplo, porque isso ocorre com em vários locais”, ressaltou.

Cuidar das nascentes e da infraestrutura é fundamental para garantir a segurança hídrica, reiterou o secretário. “Quando eu assumi a secretaria, me debrucei sobre essas questões. Estamos cuidando dos rios. Temos que usar a dinâmica das florestas”, acrescentou. “Também estamos fazendo um programa de reuso”, concluiu.

José Sarney Filho é o mediador do painel Segurança Hídrica: Perspectivas, que conta com a participação de Francisco José Coelho Teixeira, secretário de Recursos Hídricos do Ceará, Marília Carvalho de Melo, diretora geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam/MG) e Oscar Cordeiro Netto, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA).

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade