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Correio Braziliense

Greve e manifestações desta sexta ocorreram em todos os estados e no DF

Em 111 cidades houve paralisação parcial de escolas, de bancos e de transportes públicos. Foram registrados alguns incidentes com pessoas feridas no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, onde uma mulher chegou a ser internada em estado grave


postado em 15/06/2019 07:00

Avenida Paulista: educação e reforma da Previdência foram os focos dos protestos na capital de São Paulo e em quase todo o país(foto: PAULO LOPES)
Avenida Paulista: educação e reforma da Previdência foram os focos dos protestos na capital de São Paulo e em quase todo o país (foto: PAULO LOPES)
Protestos e paralisações marcaram esta sexta-feira (14/6) em todo o país. Nas ruas, os manifestantes se posicionaram contra a reforma da Previdência e os cortes na educação. Os atos foram registrados em 181 cidades dos 26 estados e no Distrito Federal e afetou principalmente escolas, bancos e o transporte públicos, cujos trabalhadores cruzaram os braços em 111 cidades. Outros estados tiveram bloqueios de ruas ou estradas, paralisação parcial no metrô e fechamento de escolas e universidades.

No Rio de Janeiro, uma mulher de 35 anos foi atropelada durane os protestos. Na Avenida Brasil, o ato provocou longos engarrafamentos. Manifestantes que bloqueavam o trânsito em uma das principais vias expressas da cidade foram dispersados por policiais militares com bombas de efeito moral.

Em São Paulo, os ônibus e os trens metropolitanos funcionaram normalmente durante todo o dia. Apenas o metrô teve parte das operações paralisadas, mas os manifestantes colocaram fogo em um carro para fechar um trecho de rua. Os policiais também responderam com bombas de efeito moral. Houve bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha usadas por policiais para conter manifestantes que arremessaram pedras contra os agentes, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Uma mulher foi internada em estado grave, com parada respiratória, após inalar fumaça proveniente da queima de pneus em Belo Horizonte, e em Salvador pelo menos 30 micro-ônibus do sistema complementar foram vandalizados. Os veículos seriam usados para reduzir o impacto da falta dos ônibus da frota regular, que não saiu das garagens.

Análises

A Professora de Política Educacional da Universidade de Brasília (UnB), Catarina de Almeida Santos, diferenciou o objetivo das mobilizações. “Nos outros dias, a intenção era fazer atos e hoje (nesta sexta-feira — 14/6), embora tenham atos, a característica era de greve no sentido de paralisar. Tanto que tiveram um conjunto de orientações para as pessoas não saírem, não comprarem nada, era para ser como o dia em que a terra parou e não dá para analisar em relação a número de pessoas na rua”, considerou.

O professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) Aninho Iranche aponta a relevância das manifestações, dessa vez, com um conglomerado de setores diretos em prol de duas pautas principais. Ele considera que as manifestações vão além de uma oposição ao governo. “É emblemático, porque normalmente a maior parte das manifestações trata de questões imediatas e dessa vez vai mais além e é bem maior, são efeitos de médio e longo prazo, não dizem respeito só ao momento atual, mas ao futuro dessas pessoas. Foi um forte recado sobre a necessidade de dialogar”, concluiu.

Na avaliação do cientista político Rafael Cortez, a greve é um movimento relevante como termômetro do poder de mobilização da oposição, mas não deve ter nenhum efeito prático em relação à votação da reforma da Previdência. “A greve é relevante, mas não trouxe algo de diferente do que já estava contabilizado tanto para a imagem do governo quanto no cálculo de custo/benefício que os legisladores fazem (ao votar contra ou a favor de algum projeto)”, disse. Por isso, afirma, não deve significar algum impeditivo para o prosseguimento da agenda econômica do governo, sobretudo para a Previdência.

As centrais sindicais, porém, avaliaram que a greve geral foi um sucesso. Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Pattah, o movimento demonstrou a união das centrais sindicais, em um momento em que o País conta com milhões de desempregados e desalentados. “Queríamos colocar as demandas nacionais, de busca de geração de emprego e crescimento econômico.” Já o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, será feita uma manifestação ainda maior “se o governo não desistir dessa proposta injusta para a Previdência”.

Manifestações contra o contingenciamento de recursos na educação também ocorreram nos dias 15 e 30 de maio. No dia 26 do mesmo mês, foi a vez de manifestantes irem às ruas em defesa de Jair Bolsonaro. (Com Agências)

* Estagiária sob supervisão de Cláudia Dianni

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