Publicidade

Correio Braziliense

Cachorro de moradora de rua morre com suspeita de envenenamento em BH

Animal tinha pouco mais de um ano e era conhecido dos moradores da Região Centro-Sul. Caso gerou comoção e será investigado pela Polícia Civil


postado em 21/06/2019 19:08

 Pessoas que passavam pelo local tentaram reanimar o cão, mas ele morreu antes de ser levado a uma clínica veterinária(foto: Tatiana Barletta/Divulgação )
Pessoas que passavam pelo local tentaram reanimar o cão, mas ele morreu antes de ser levado a uma clínica veterinária (foto: Tatiana Barletta/Divulgação )
 
 
A morte de um cachorro mobilizou moradores e frequentadores do Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O animal pertencia a uma moradora de rua e a suspeita é de que ele tenha sido envenenado. A Polícia Militar (PM) registrou um boletim de ocorrência e o caso será alvo de inquérito da Polícia Civil. 

Beethoven tinha um ano e dois meses e vivia na barraca da dona, de 29 anos, que foi montada na Rua dos Inconfidentes. A moradia improvisada possui mesa, cadeiras, quadros e outros itens de decoração. Ela e o cachorro, um labrador marrom de grande porte, eram conhecidos na região. A vendedora e confeiteira Tatiana Barletta conheceu os dois ao passar pelo local a caminho do trabalho. “No dia em que eu me encantei com o Beethoven, um cachorro grande, me aproximei e fui brincar com ele. Ela (moradora) saiu com uma pasta super organizada com a documentação de castração, vacinas, tudo bonitinho. Era um cachorro limpo, bem cuidado, só come ração. Ela tinha um zelo por ele como se fosse um filho”, contou. 

No fim da noite passada, Tatiana passava pela rua quando ouviu os gritos da mulher. Segundo ela, um grupo de jovens tentava reanimar o cão. Eles deram leite, mas ele estava passando muito mal. A vendedora ligou para um amigo ativista da causa animal e ele recomendou um veterinário conhecido, mas o cão morreu antes que eles conseguissem sair do local. “O desespero dela foi enorme, ela gritava muito pra ele voltar”, conta. 

Tatiana Barletta/Divulgação (foto: Tutora ficou muito abalada com a morte do cão, que criava desde filhote)
Tatiana Barletta/Divulgação (foto: Tutora ficou muito abalada com a morte do cão, que criava desde filhote)
Segundo Tatiana, a tutora do cão acredita que ele ingeriu veneno e disse suspeitar de um casal de moradores da região. “Ela falava muito de um pessoal que mora no prédio ao lado. Cedo ela teve um desentendimento, uma moradora quis bater no Beethoven, uma mulher que estava de carro não deixou. Eles falavam que não gostavam de preto, morador de rua e de cachorro, e ameaçaram o Beethoven”, diz a vendedora. “Ele estava super saudável, super bem. Por volta das 23h, ele foi fazer xixi e nisso ela o viu comendo alguma coisa no jardim do prédio. Ela o pegou e ele começou a passar muito mal”, disse.  

A Polícia Militar esteve na Rua dos Inconfidentes na manhã desta sexta-feira (21/6) para registrar um boletim de ocorrências. De acordo com a corporação, consta no documento que a moradora de rua vinha tendo problemas com pessoas do edifício ao lado da barraca. A discussão com o casal não consta no histórico do registro, mas é citado um morador, cujo nome ela desconhece, que teria ameaçado o animal por motivos fúteis. Após Beethoven passar mal e morrer, ela lembrou das ameaças. No local, a PM falou com uma testemunha que confirmou que um morador do prédio já teve problemas com a jovem, mas que ele está viajando desde quarta-feira. Uma outra testemunha relatou à Polícia Militar que moradores dizem que o suposto autor já havia ameaçado matar o cachorro porque o animal urinava no jardim do edifício. De acordo com a Polícia Civil, o registro da ocorrência foi confirmado e o caso segue para investigação. 

O amigo de Tatiana fez uma postagem no Facebook denunciando o caso e até esta tarde já contava com mais de 600 compartilhamentos. Pouco antes das 16h, ele publicou uma atualização na rede social informando que o corpo de Beethoven foi encaminhado ser necropsiado e passar por um exame toxicológico no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A moradora de rua também recebeu um novo filhote para adotar. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade