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Correio Braziliense

Brumadinho: Adolescente recebe alta após ficar internada por seis meses

Talita Oliveira, a jovem retirada da lama e içada a helicóptero em cena dramática, dá os primeiros passos quase seis meses depois da tragédia


postado em 19/07/2019 12:25

Talita protagonizou resgate dramático feito opor voluntários e helicóptero dos bombeiros. Ela ficou internada por quase seis meses(foto: José Antônio Soares Pereira/Divulgação)
Talita protagonizou resgate dramático feito opor voluntários e helicóptero dos bombeiros. Ela ficou internada por quase seis meses (foto: José Antônio Soares Pereira/Divulgação)
 "Estamos aliviados de vê-la saindo do hospital depois de tanto tempo", disse José Antônio Soares Pereira, de 46 anos, uma das pessoas que acompanham diariamente Talita Cristina Oliveira, de 16 anos – vítima da tragédia em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Após ficar internada por quase seis meses, a jovem saiu do Hospital Mater Dei, em Betim, na Grande BH, na manhã de quarta-feira (17/7). Talita estava em casa com a irmã Alessandra e a sobrinha Lays, dentro da fazenda onde ficava a Pousada Nova Estância, quando tudo aconteceu. A adolescente havia acabado de chegar do Norte de Minas para viver com os parentes em Córrego do Feijão. Segundo a última atualização da Defesa Civil, 395 pessoas foram encontrads, 248 tiveram a morte confirmada e 22 continuam desaparecidas.

 

A alta da adolescente emocionou a major Karla, que participou do resgate de Talita. “Como bombeira militar e socorrista esse é o maior presente que a gente pode receber: poder efetivamente salvar uma vida”, disse, ao Estado de Minas. “Foi uma bênção para mim poder ter feito diferença para a vida dela. Espero que ela faça bom proveito dessa chance que teve de viver e que seja uma mulher, uma cidadã bem resolvida, que os projetos que ela tenha se realizem”, afirmou. “Só tenho a agradecer por ter feito parte dessa história. Torço para que a Talita, uma guerreira, consiga se recuperar e fique com menor número possível de sequelas.”

 

Talita protagonizou uma das mais dramáticas cenas pós-tragédia, ao ser arrancada do pântano de rejeitos por uma dupla de voluntários e içada para um helicóptero do Corpo de Bombeiros que voava poucos centímetros acima do atoleiro. Imagens desse trabalho rodaram o mundo, registradas pelo helicóptero da TV Record. Dali, Talita seguiu para o primeiro posto montado em um campo de futebol, bem perto de onde foi resgatada, e ficou sob cuidados de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A major Karla e seu time retornaram para buscar uma segunda vítima, Paloma Ferreira, que trabalhava na pousada. Talita e Paloma seguiram de helicóptero para o Hospital João XXIII. Paloma teve alta dias depois.

 

Em março, o Estado de Minas encontrou com Talita, que ainda se recuperava, no Hospital Mater Dei, para onde foi cinco dias depois do rompimento da barragem. Ontem, o segundo pai da adolescente, José Antônio, comemorou a nova fase da recuperação: "Ela saiu ontem (quarta) de manhã, mas médicos do hospital estão acompanhando. Estamos em um hotel, também em Betim, onde enfermeiros cuidam dela 24 horas por dia. Ela também tem auxílio de uma fisioterapeuta e uma psicóloga", contou.

 

José Antônio é casado com Alessandra Paulista de Souza, de 43, irmã de Talita, que também ficou ferida no desastre, mas já recebeu alta. O casal assumiu a criação da jovem desde que a mãe, vítima de câncer, morreu em Várzea da Palma, cidade natal da família, no Norte de Minas, no fim do ano passado. Ele conta que Talita ainda sente muita dor, mas que se recupera bem. "Ela começou a dar os primeiros passos com a ajuda de um andador, mas para voltar a andar normalmente ainda vai depender de muita fisioterapia", contou. A jovem passou por cirurgias no quadril e fêmur.

 

Hoje, Talita vai realizar o primeiro sonho após deixar o hospital: sobrevoar BH. "Talita sempre quis voar. Mas, infelizmente, só fez sobrevoo nas condições da tragédia.  A major Karla vai acompanhá-la", contou José Antônio.

 

Agora, o recomeço com a filha do coração é incerto. Afinal, a casa e a renda principal que ele e a mulher tinham estavam na Nova Estância, varrida do mapa pela onda de lama. Os donos, Márcio Mascarenhas, a esposa, Cleosane Mascarenhas, e o filho do casal, que tinha o mesmo nome do pai, também morreram. A família procura por uma casa na região. "Estamos recebendo auxílio. Ela sair do hospital trouxe um pouco mais de conforto", acrescentou.

 

 

 

 

 

 

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