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Correio Braziliense

Uso do termo paraíba quase rendeu processo contra jogador Edmundo, em 1997

Na época, o jogador do Vasco da Gama, chamou o árbitro cearense Dacildo Mourão de ''paraíba'' após ser expulso de campo


postado em 20/07/2019 15:09 / atualizado em 20/07/2019 15:24

(foto: Gláucio Dettmar/CB/D.A Press)
(foto: Gláucio Dettmar/CB/D.A Press)
O uso da expressão "paraíba" para se referir a qualquer nordestino, como fez na sexta-feira (19/7) o presidente Jair Bolsonaro, já gerou ameaças de processo a outra personalidade, mais de 20 anos atrás. Em 1997, o jogador de futebol Edmundo, ex-Vasco da Gama e ex-Seleção Brasileira, usou o termo para ofender o juiz cearense Dacildo Mourão.

O Vasco da Gama jogava uma partida no Rio Grande do Norte e, após cometer uma falta por trás e dar um puxão de camisa no adversário, Edmundo acabou expulso. Ao sair de campo, o atleta declarou: "A gente vem na Paraíba, um paraíba apita... Só pode prejudicar a gente".

Questionado depois se não considerava a declaração preconceituosa, Edmundo se defendeu dizendo que não tinha intenção de agredir ninguém. "Lá no Rio, todo mundo que é do Norte a gente chama de paraíba. Todo mundo que é do Rio sabe disso. Não foi para agredir ninguém, mas é brincadeira. A gente vem jogar no Nordeste e botam um juiz do Nordeste. Que palhaçada é essa?", disse. Assista:



"Coisas do futebol"

Na época, Dacildo Mourão foi questionado se pensava em processar o jogador. O árbitro, no entanto, nunca levou o caso para Justiça. Em 2003, ao lembrar o episódio em uma entrevista ao site NetVasco, explicou a decisão: "Passou, pronto. Depois que o árbitro apita, acaba. São coisas do futebol".

Ainda não se sabe se a fala de Bolsonaro terá o mesmo desfecho. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse esperar uma explicação do presidente e afirmou que a manifestação é "incompatível com a Constituição". Já o deputado maranhense Márcio Jerry, também do PCdoB, anunciou ter a intenção de pedir à Procuradoria geral da República que apure o "cometimento de crime comum, neste caso crimes de ameaça, contra a honra e racismo".

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