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Correio Braziliense

Ministro da Infraestrutura se reunirá com embarcadores esta tarde

O encontro será crucial para trazer entendimento entre governo e categoria. Caso contrário, o risco de uma greve dos caminhoneiros aumentará


postado em 23/07/2019 12:57 / atualizado em 23/07/2019 15:17

Governo tenta, a todo custo, evitar uma greve dos caminhoneiros como a que ocorreu em maio de 2018(foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
Governo tenta, a todo custo, evitar uma greve dos caminhoneiros como a que ocorreu em maio de 2018 (foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
 

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, se reunirá, às 15h desta terça (23/7) com representantes e entidades dos caminhoneiros embarcadores. O encontro será crucial para trazer entendimento entre governo e categoria. Caso contrário, o risco de uma greve dos caminhoneiros aumentará. A suspensão da resolução 5.849/2019 pela diretoria da Agência Nacional dos transportes Terrestres (ANTT), tampouco conseguiu acalentar os ânimos.

O documento que determinava a nova política de preços mínimos do frete para caminhoneiros foi o estopim da nova crise. Isso porque a categoria achou os preços abaixo do necessário. Por enquanto, vale a política antiga, gerida pela resolução número 5820/2018, editada no governo Temer e em vigor até a semana passada. Uma das lideranças que se encontrarão com o ministro, Wallace Ladim, Chorão garantiu, esta manhã, que “o clima é o mesmo”. O que quer dizer que a categoria continua disposta a cruzar os braços.

“Estamos aguardando. Quero que todo mundo resolva da melhor forma possível. A decisão da ANTT foi um alívio, mas não representa um ganho para a categoria, e sim, uma coisa errada em que o governo voltou atrás. Precisamos de uma adequação (na tabela). Se ficar do jeito que está, ninguém vai querer carregar nada acima de sete eixos. Estamos esperando uma posição do ministro (Tarcísio Gomes). Estamos mostrando onde está errado e o que tem que consertar”, afirmou o representante.

Presidente da Associação dos Caminhoneiros do Vale de Itapocu, norte catarinense, Kelvyn Cristo Folini também demonstra insatisfação. “Do ano passado até agora, foram três tentativas grandes de paralisação. Movimentos externos tentaram usar a categoria para fazer greve. Agora, quem está dizendo que vai parar é a própria categoria. O governo está pagando pra ver. Estamos, desde a última greve, negociando”, alertou.

“Pedimos duas coisas: o piso mínimo de frete justo, para fazermos a viagem e a manutenção do veículo, e  código identificador de operação de transporte, documento de transporte obrigatório, para todos. Hoje, é só para os autônomos. Esse documento tem as informações da viagem, como origem, destino e número de nota fiscal. Queremos que seja obrigado para qualquer operação de carga terrestre. Aí, todo mundo vai receber o piso mínimo. O governo vem ouvindo a categoria, mas não cumpriu o que era prometido”, criticou Kelvin.

 

Mais negociações

 

Na quarta (24), Tarcísio se reunirá com a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA). Por meio de nota, a confederação informou que revisou a resolução da ANTT e que “identificou alguns pontos que causaram estranheza, como, por exemplo, o fato de equipamentos e condições operacionais diferentes - como granel sólido, conteinerizada, granel líquido e neogranel - apresentarem o mesmo valor para cálculo". Ainda segundo o texto divulgado, outro ponto “é que não há diferença nos valores da contratação do conjunto ou só do cavalo quando se refere à carga geral na linha de equipamentos de 5 e 6 eixos”.

“A entidade também aponta a necessidade da ANTT divulgar os números que fundamentaram os parâmetros de cálculo, para que assim, a categoria possa entender quais foram as referências adotadas para se chegar aos valores divulgados e avaliar mais profundamente se eles são realmente adequados com o custo da operação de fretes. Outro ponto levantado pela CNTA, até mesmo nas audiências públicas, é a imprescindibilidade de ser incluído nas variáveis de cálculo, a diária do caminhoneiro, como custos com alimentação e pernoite”, segue o texto.

A CNTA encerra alertando que “é inevitável a insatisfação da categoria, que possuía uma grande expectativa pela resolução, principalmente pelo longo tempo que levou para ser elaborada e pelo fato dos caminhoneiros terem participado ativamente das audiências públicas com contribuições para sua construção”.

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