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Correio Braziliense

''Vivemos tempo de banalização do trabalho infantil'', diz procurador

De acordo com Ronaldo Curado Fleury, procurador geral do trabalho, cabe às autoridades condenarem o trabalho infantil e não romantizá-lo


postado em 25/07/2019 18:20 / atualizado em 25/07/2019 19:29

(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press)
 
 
No mesmo mês em que o presidente Jair Bolsonaro provocou uma polêmica ao falar sobre trabalho infantil, o Ministério Público do Trabalho (MPT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou o Observatório da Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, nesta quinta-feira (25/7). 

No evento de lançamento da ferramenta, o procurador geral do trabalho, Ronaldo Curado Fleury, se declarou preocupado com os tempos atuais. “Vivemos tempos estranhos. Vivemos tempos de banalização do trabalho infantil”, disse.

O procurador comentou ainda a declaração de Jair Bolsonaro, que no início de julho, em uma das tradicionais lives pela internet, chegou a sugerir que é a favor do trabalho infantil e disse que o trabalho dignifica o homem “não interessa a idade".

Para Fleury, após a fala do presidente surgiram várias que romantizaram o trabalho infantil. “Gera esse efeito de banalização e é isso que nossa sociedade não pode admitir. Não podemos achar normal crianças trabalhando. Temos que manter nossa capacidade de indignação”, pontuou.

Para ele, a situação se torna pior quando a sociedade deixa de enxergar o problema. “Cabe às autoridades condenarem o trabalho infantil e não romantizá-lo”, completou. 

Dados alarmantes

Este é o terceiro observatório lançado pelo MPT, que conta com ferramentas sobre o trabalho escravo e sobre saúde e segurança do trabalho. A ferramenta, que pode ser acessada por qualquer pessoa, mostra dados relevantes do trabalho infantil pelo Brasil.

Um dos mais citados pelas autoridades presentes foi o número de acidentes no trabalho infantil. Segundo informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde, 300 mil acidentes com crianças e adolescentes com até 17 anos de idade, foram notificados durante o período de 2007 a 2018.

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