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Correio Braziliense

Lisboa terá rua com o nome da vereadora brasileira Marielle Franco

Homenagem à vereadora carioca, assassinada há 500 dias, foi aprovada pela Câmara Municipal da capital portuguesa. No Rio, familiares lançam instituto para preservar a memória da defensora da causa das comunidades pobres e das mulheres negras


postado em 27/07/2019 07:00

Polícia prendeu responsáveis pela execução, mas não chegou aos mandantes do crime. Motorista também morreu(foto: AFP / CARL DE SOUZA)
Polícia prendeu responsáveis pela execução, mas não chegou aos mandantes do crime. Motorista também morreu (foto: AFP / CARL DE SOUZA)
Neste sábado (27/7), dia em que Marielle Franco faria 40 anos, também se completam 500 dias do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro. Nesta sexta-feira (26/7), a Câmara Municipal de Lisboa, Portugal, aprovou por unanimidade uma proposta do vereador Manuel Grilo, do partido Bloco de Esquerda, para a criação de uma rua com o nome de Marielle Franco na capital portuguesa.

“Temos a honra de poder homenagear a Marielle Franco, vereadora de esquerda que foi brutalmente assassinada no Rio de Janeiro em 2018. A sua memória perdurará também em Lisboa, porque as causas pelas quais lutava são as nossas” escreveu Grillo em uma rede social.

No Rio, o principal ato de homenagem organizado pelos familiares será a divulgação e o lançamento oficial do Instituto Marielle Franco e do site do projeto, criado por Anielle Franco, irmã da vereadora. O evento acontecerá no Galpão Bela Maré, que fica na entrada da Favela da Maré, onde Marielle foi criada.

“Eu queria fazer algo em prol das mulheres negras. A gente sempre lutou muito pela causa desde pequena, mas é óbvio que, depois da morte dela, algumas coisas afloraram em mim”, disse Anielle Franco ao Correio. Com o apoio de toda família, a ideia, que surgiu no final do ano passado, se transformou em realidade. “O Instituto tem quatro pilares: busca pela justiça, defesa da memória, multiplicação do legado e cuidado das sementes plantadas”, pontuou.

 

Neste sábado (27/7), a irmã da vereadora, que é diretora do instituto, receberá algumas deputadas eleitas, consideradas “sementes” de Marielle, para um bate-papo. Mônica Francisco, Renata Souza, Talíria Petrone e Erica Malunguinho participarão do encontro.

Além da roda de conversa, o evento também terá oficina de afrofunk. “Eu sei que, se fosse ao contrário, ela faria algo pelo meu aniversário, porque ela adorava comemorar. Então, pra mim, a data não pode passar em branco”, disse Anielle.

A data por si só já seria especial para familiares e amigos, mas a carga emocional fica ainda maior já que a investigação do caso não foi concluída. Apesar de se lembrar com alegria de Marielle, a irmã confessa que a data traz uma mistura de emoções.

“A data, para a gente, tem vários sentimentos. É uma mistura de saudade com indignação, força e alegria”, afirmou. Anielle contou que são os pais quem acompanham mais de perto os detalhes das investigações. “Confesso que, no fundo, a gente segue na esperança de resolver o caso, seja lá de que forma for e quando”, disse.

As investigações têm uma importante etapa marcada para semana que vem. Na próxima sexta-feira, será realizada a segunda parte da audiência de instrução e julgamento dos réus do homicídio de Marielle e Anderson, o sargento reformado da PM Ronnie Lessa e o ex-policial Élcio Vieira de Queiroz.

Em março passado, os dois foram presos no dia em que o crime completou um ano. Eles estão encarcerados na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, para onde foram transferidos no início deste mês.

A polícia, entretanto, ainda não identificou o mandante ou os mandantes do crime. A primeira parte da audiência do processo ocorreu em junho. Na segunda fase, estão sendo aguardados para depor o primeiro encarregado das investigações, delegado Giniton Lages, e a viúva de Marielle, Mônica Benício.

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