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Correio Braziliense

Acusada de torturar idosos em MG compartilhava salmos e falava contra gays

Proprietária de abrigo se classificava como pastora nas redes sociais. Ela e a filha foram presas depois que um médico denunciou os maus-tratos ocorridos no estabelecimento


postado em 30/07/2019 09:36

Casa dos Idosos Acolhendo Vidas, em Santa Luzia, onde a Polícia Civil investiga denúncias de maus-tratos(foto: Divulgação/PCMG)
Casa dos Idosos Acolhendo Vidas, em Santa Luzia, onde a Polícia Civil investiga denúncias de maus-tratos (foto: Divulgação/PCMG)
A proprietária da Casa dos Idosos Acolhendo Vidas, o asilo onde a polícia investiga denúncias de maus-tratos contra idosos, se classificava como pastora nas redes sociais e compartilhava diversas mensagens bíblicas proferidas por líderes religiosos da igreja evangélica. Ela também postava, frequentemente, passagens do livro sagrado. 

Uma das postagens evidencia um vídeo do pastor Silas Malafaia, um dos mais controversos líderes religiosos, condenando a homossexualidade. Em outro link compartilhado, a mulher celebra a “mudança” feita pelo Evangelho na vida de um “ex-gay”.
 
Além disso, a detida compartilhava vídeos publicados na atual página do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). No material, o chefe do Executivo paulista faz flexões ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL). 

Em alguns posts, usuários criticam os posicionamentos da suspeita de maus-tratos. “A máscara caiu”, afirma um deles, se referindo as investigações conduzidas pela Polícia Civil contra a proprietária do asilo e a filha dela.

Nesta segunda-feira (29/7), a Justiça mineira, por meio da comarca de Santa Luzia, converteu a prisão da pastora em preventiva. De acordo com o artigo 312 do Código Penal, esse tipo de detenção pode durar de quatro meses a um ano e seis meses.

A prisão preventiva pode ser adotada tanto durante as investigações quanto no decorrer da ação penal, quando surgem provas que liguem o suspeito ao crime. A preventiva se aplica à dona do asilo porque os crimes investigados são dolosos e passíveis de reclusão maior que quatro anos.

Vítimas

Segundo o Hospital Municipal Madalena Calixto, 14 idosos oriundos do asilo de Santa Luzia estão internados no momento. Três deles estão na sala de urgência da unidade médica devido à piora do quadro clínico. A Secretaria Municipal de Saúde presta apoio psicológico às vítimas e encaminhou uma equipe de saúde da família.

O objetivo é analisar os asilados que não precisam de cuidados médicos, mas apresentam alguma enfermidade. A maior dificuldade dos médicos e enfermeiros é justamente a falta de prontuário dos pacientes, já que a Casa dos Idosos Acolhendo Vidas não atualizava o histórico dos internos.

Enquanto a Justiça e a polícia trabalham no caso, a Secretaria de Desenvolvimento Social de Santa Luzia levanta informações sobre os pacientes para encontrar os familiares que ainda não procuraram seus parentes. Os famiiares podem, inclusive, serem denunciados por abandono de incapaz. 

Também é aguardada a liminar da Justiça que determinará pelo fechamento ou não do local, que está temporariamente interditado. O mesmo vale para os procedimentos que serão tomados a partir daí.

No momento, a Guarda Municipal de Santa Luzia faz o monitoramento 24 horas para garantir a integridade física dos idosos que ainda estão internados.

Histórico

O asilo onde as violações aconteciam mudava de endereço regularmente. Segundo a prefeitura, a vigilância sanitária já havia notificado a instituição privada por diversas vezes diante das irregularidades.

Contudo, a proprietária e sua filha sempre abandonavam os imóveis notificados com objetivo de ludibriar a fiscalização e não cumprir os prazos acordados com o Executivo municipal. Em 2017, o Ministério Público estadual encontrou o endereço usado à época e, novamente, acionou a vigilância sanitária.

Naquela ocasião, houve um levantamento das falhas e, desde então, se trabalhava com prazos para adequação às condições ideias.

No último dia 10, a vigilância sanitária fez uma nova notificação cautelar. Desta vez, o prazo era de 15 dias para que as exigências fossem cumpridas definitivamente.

Paralelamente, pacientes vindos da instituição asilar deram entrada no Hospital Madalena Calixto. Eles relaram abusos e maus-tratos ao médico de plantão, que denunciou o caso à polícia. A delação do profissional da saúde desencadeou a operação realizada pela Polícia Civil na última quinta.

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