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Correio Braziliense

Edital de cinema do BB pergunta se há cenas de sexo nos projetos inscritos

Inclusão de perguntas do tipo foi criticada pelo Sindicato dos Bancários, que vê tentativa de censura. Edital foi lançado na segunda-feira (12/8)


postado em 13/08/2019 15:36 / atualizado em 13/08/2019 17:07

(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)
"Serão exibidas cenas de nudez ou sexo explícito?", "A obra tem cunho religioso ou político?" e "A obra faz referência a crimes, drogas, prostituição ou pedofilia?". A inclusão dessas três perguntas em um edital do Banco do Brasil para apoio a filmes tem causado polêmica. As questão estão no formulário de inscrição para a seleção de projetos de produção audiovisual de longa-metragem, na modalidade de ficção, lançada na segunda-feira (12/8), pelo BB DTVM. 

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região viu nas perguntas uma espécie de censura prévia. "Se um filme aborda uma temática relacionada a uma religião diferente da do presidente, não poderá ser realizado? Vários filmes brasileiros com cenas de nudez são premiados internacionalmente! O BB deveria zelar pela pluralidade de ideias e de temas, disse João Fukunaga, secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato.

O Correio entrou em contato com o Banco do Brasil, mas não havia recebido resposta até a última atualização desta matéria. 

Críticas e vetos

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro criticou o uso de verbas públicas para produção de filmes. Em meio aos embates com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), declarou que "não poderia admitir que, com dinheiro público, se façam filmes como o da Bruna Surfistinha", em referência ao longa protagonizado por Deborah Secco em 2011.

Em abril, uma campanha publicitária do Banco do Brasil dirigida para o público jovem, divulgando o serviço de abertura de conta corrente por aplicativo no celular, foi retirada do ar por recomendação do presidente
 
Estrelado por atores negros e brancos, numa representação da diversidade racial e sexual do país, a peça começou a ser veiculada no dia 1.º de abril e saiu do ar há após duas semanas.

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