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Correio Braziliense

Protestos contra governo alcançaram 95 cidades, em 26 unidades da Federação

Manifestações contra cortes de verba no ensino público são realizadas em 95 cidades de 25 estados. Movimentos também miram reforma da Previdência. Em Brasília, mulheres indígenas vão à Esplanada e reforçam dia de reivindicações


postado em 14/08/2019 06:00

Além do bloqueio de recursos, estudantes e professores criticam o programa Future-se, do MEC(foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Além do bloqueio de recursos, estudantes e professores criticam o programa Future-se, do MEC (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Pelo menos 9 mil manifestantes tomaram a Esplanada dos Ministérios na manhã desta terça-feira (13/8), para protestar contra os cortes na educação, contra a reforma da Previdência e pela visibilidade das mulheres indígenas. Os números são da Polícia Militar do Distrito Federal. Segundo a corporação, foram 5 mil representantes de etnias ameríndias e outros 4 mil entre professores e estudantes de escolas públicas, universidades e institutos federais de educação. Grupos que vieram para o Distrito Federal participar da Marcha das Margaridas, marcada para esta quarta-feira (14/8), também desceram para o centro.

Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), os protestos contra a redução de verbas na educação se alastraram por 95 municípios de 25 estados, além da capital federal. Em São Paulo (SP), o movimento aconteceu à tarde. O ponto de encontro foi o Museu de Arte de São Paulo e, por volta de 16h, manifestantes fecharam a Avenida Paulista. No Rio de Janeiro (RJ), os manifestantes saíram em passeata da Universidade Federal Fluminense, Instituto Federal Fluminense e Universidade Estadual Norte-fluminense rumo ao Pelourinho.

Os protestos se espalharam, ainda, por Manaus, Fortaleza, Vitória e diversas outras capitais e municípios interioranos. No DF, porém, por reunir várias categorias, o encontro contou com manifestantes de vários estados. Um dos principais alvos foi o programa Future-se, lançado em 17 de julho, que tem o objetivo de aumentar a autonomia financeira e administrativa de universidades e institutos federais. Tanto estudantes quanto professores se disseram contrários.

A estudante de doutorado do Programa de Psicologia Clínica e Cultura da Universidade de Brasília (UnB), Larissa Leão, 30 anos, está entre os críticos do programa do governo. “São vários motivos, mas vim para defender a educação e combater o Future-se, que tende a sucatear as universidades públicas”, avaliou. A primeira vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Qelli Rocha, 38 anos, por sua vez, disse que o programa é um retrocesso e um processo de privatização das universidades públicas.

“Aderimos ao movimento e contribuímos na construção dele, porque queremos denunciar. Primeiro, vieram os cortes, que farão as universidades pararem de funcionar a partir de setembro, e, depois, esse discurso. Com esse cenário de degradação do espaço público, fica mais fácil construir um discurso de necessidade de privatização”, avaliou a representante, que também é professora da Universidade Federal de Mato Grosso.

Qelli disse acreditar que as atitudes do atual governo, nos primeiros sete meses, mostram a intenção de desvalorizar a educação pública e construir um projeto privatista da educação. “Isso significa deixar grande parte da população assalariada à margem das universidades”, considera. A vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (Une), Regina Brunet, por sua vez, falou em “mobilização permanente”. “O governo está apresentando um programa antipovo, e nós somos o povo”, afirmou.

Marcha

Conselheira da Associação Indígena da Aldeia Maracanã, Luakan Anambé, da etnia Anambé, do Pará, falou sobre a importância da marcha das mulheres indígenas. Segundo a liderança, a intenção é dar voz aos grupos de mulheres indígenas e chamar a atenção para o genocídio dos povos. “Fizemos uma viagem maravilhosa. A primeira marcha ocorre para termos visibilidade, voz e fala. A mulher indígena é muito discriminada, e temos que chamar a atenção das mulheres do contexto urbano para a nossa situação”, disse.

Luakan explicou que o preconceito e a violência contra mulheres indígenas são antigos. “Desde a invasão do homem branco, viemos perdendo a visibilidade. Tem um genocídio acontecendo no nosso meio. Com o novo governo, nossos caciques estão morrendo. E eles são uma força grande. Quando morrem, você desarticula o resto da comunidade. Perdemos parte da cultura, do dialeto, da nossa língua”, lamentou.

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