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Correio Braziliense

Brasil é líder mundial em sedentarismo, afirma ministro da Saúde

Presente no Correio Debate sobre os desafios da alimentação saudável, Luiz Henrique Mandetta alerta para a necessidade de a população buscar o equilíbrio entre ingestão e gasto


postado em 14/08/2019 09:50

O ministro lembrou que as gerações anteriores tinham uma base alimentar muito equilibrada(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O ministro lembrou que as gerações anteriores tinham uma base alimentar muito equilibrada (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Apesar de ter alta incidência solar e grande parte da população estar próxima da costa, o que deveria propiciar a prática de exercícios, o Brasil é líder mundial em sedentarismo. Por isso, a obesidade avança a índices alarmantes no país. O alerta é do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que participa, nesta quarta-feira (14/8), do Correio Debate sobre Os desafios da Alimentação Saudável. O evento tem patrocínio do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), com apoio do Instituto Ibirapitanga.

Segundo o ministro, o problema não é só do Brasil. “O fenômeno é global”, afirmou. México e Estados Unidos têm complexidade no problema, assim como a Europa. “Países africanos que não tinham nada de obesidade viram os índices aumentarem, assim como os asiáticos. A China, após a migração do campo para cidade, está fazendo investimentos enormes por conta da preocupação com o estilo de vida”, afirmou.

Ao abrir o Correio Debate, Mandetta explicou que usar o tempo de maneira útil, saudável e com qualidade de vida está embasado em dois pilares: alimentação e atividade física. “Esses dois pilares compõem a vida do ser humano. Desde sempre, a humanidade vem se utilizando do que a natureza lhe oferta”, destacou. 

Mandetta assinalou que, quando o equilíbrio entre ingestão e o gasto é desfeito, são percebidas inúmeras situações e problemas de saúde. O que tem se tornado um círculo vicioso, com cada vez mais alimentação industrializada e excessos de açúcar e de sódio. “Somado a isso, temos o tempo de hora-tela (que representa o sedentarismo em frente ao computador, celular ou televisão) aumentando significativamente.”

O ministro lembrou que as gerações anteriores tinham uma base alimentar muito equilibrada e hoje há uma ruptura disso. “O Brasil vem do arroz com feijão, do carboidrato com proteína vegetal. Tem uma terra extremamente generosa, com frutas e verduras. Com essa base, atravessamos 500 anos de história com bom ponto de equilíbrio”, disse.

Quando o país entrou na década de 1980, no entanto, as pessoas se tornam mais dependentes dos automóveis e houve popularização dos alimentos industrializados. “O que antes era uma exceção, uma criança obesa, agora é uma constelação”, alertou. 

No Brasil, segundo os dados do Ministério da Saúde, 12,9% das crianças entre 5 e 9 anos são obesas e 17% das menores de 5 anos estão com excesso de peso. “Isso provoca, no médio e longo prazos, aumento de diabetes, hipertensão, acidentes cardiovasculares, doenças oriundas deste padrão alimentar”, sentenciou Mandetta.

Não é um fenômeno só da sociedade brasileira. É global. As pessoas trabalham sentadas, vão de carro para o escritório, chegam em casa e vão para o computador, relatou. No entanto, ressaltou o ministro, o Brasil ocupa a posição de país mais sedentário do mundo, segundo um estudo que ainda deve sair. “Somos mais sedentários do que países com meses de neve, que tiveram de desenvolver esportes de inverno”, destacou.

O país caminha para o aumento de peso e aumento da hipertensão, alertou o ministro. “Isso trava, no âmbito da indústria, estratégias para combater essa equação binária de padrão hipercalórico.” 

Por conta destes indicadores, o ministério está desenvolvendo políticas de saúde, sobretudo, voltada para as crianças, população na qual a educação é capaz de reverter hábitos alimentares.

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