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Correio Braziliense

''Obesidade é tratada com simplismo, mas é mais complexa'', diz médica

Maria Edna Melo ressalta que a obesidade vem crescendo mundialmente, não se limitando apenas a países pobres


postado em 14/08/2019 11:03 / atualizado em 14/08/2019 11:06

Melo afirma que a atividade física é importante para a saúde geral(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Melo afirma que a atividade física é importante para a saúde geral (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
“A obesidade é tratada com simplismo, mas é muito mais complexa”. A fala é da chefe da Lida de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Maria Edna Melo, que participou do Correio Debate “Os desafios da alimentação saudável no Brasil”.

Durante o painel “Perspectivas de prevenção da obesidade”, Melo ressaltou que a obesidade vem crescendo mundialmente, não se limitando apenas a países pobres. “Nunca foi feito nada eficaz, nem em países ricos, nem em pobres. De forma populacional, determina o comprometimento da saúde, comprometimento financeiro e o governo começa a prestar mais atenção. Mas nem por isso elas são respeitadas. Escutei um gestor de saúde dizer que elas devem morrer logo, pois vão deixar de gastar dinheiro do sistema de saúde”.

E continua: “O que incomoda é que a complexidade dessa doença não interessa para a maioria das pessoas. O que interessa é que cada um tem seu conceito próprio, são livres para falar, mas às vezes falam muita besteira. Isso que compromete individualmente a saúde”, destacou.

A médica endocrinologista apontou ainda que existem vários fatores que contribuem para o ganho excessivo de peso, como os fatores psicológicos; o sedentarismo, predisposição genética e a alimentação. Ela defende mudanças no sistema alimentar para a redução da prevalência de obesidade.

“Ainda tem estudos que mostram que a alimentação saudável é mais barata que alimentação industrializada. Será que é mesmo? Será que o preço do tomate chegava a R$ 10,00, R$ 15,00? Esses valores precisam ser revistos. Tem que ter uma modificação na precificação do que as pessoas comem. Não tem como pegar um pacote de macarrão instantâneo que custa R$ 1,00 e alface a R$ 2, se tiver na safra”.

Sobre a predisposição genética, ela avalia que o ser humano foi selecionado ao longo de milênios para a economia de energia. “Sempre teve predisposição genética,. Nas últimas décadas a obesidade começou a crescer pela mudança no padrão alimentar que acompanha a mudança na rotina de vida. O que mudou foi o sistema alimentar”.

Melo afirma que a atividade física é importante para a saúde geral e está associada com a manutenção do peso. O ideal seria o gasto calórico de 700 kcal por dia, o equivalente a cerca de uma hora de corrida.

A endocrinologista explica que indivíduos com obesidade possuem o funcionamento diferente no sistema central e tem expectativa maior em relação à comida. “Elas possuem regulação do apetite alteradas: A busca por alimentos, fome e comportamento não se escolhe. É uma doença crônica”, concluiu.

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