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Correio Braziliense

Proteção à Amazônia norteia discurso de Bolsonaro em cerimônia do Exército

Com recados à atual crise que o governo enfrenta, com nações europeias ameaçando cancelar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, presidente mostrou empenho em superar e combater o momento difícil.


postado em 23/08/2019 10:58 / atualizado em 23/08/2019 11:50

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
 
“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito difícil, porém, foi a de nossos antepassados de conquistá-la e mantê-la”. Parafraseando uma declaração do falecido general Rodrigo Octávio Jordão Ramos, ex-comandante militar da Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro iniciou, nesta sexta-feira (23/8), o pronunciamento na cerimônia alusiva ao Dia do Soldado, celebrado em 25 de agosto. Com recados à atual crise que o governo enfrenta, com nações europeias ameaçando cancelar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, ele mostrou empenho em superar e combater o momento difícil. Mas lembrou o que vem dito em outras ocasiões: “o Brasil mudou. Está sob nova direção e ele vai dar certo”

O país vive “as dores do parto para que uma nova vida surja para o nosso querido Brasil”, definiu Bolsonaro. Nada é fácil, emendou. Com enaltecimento aos ministros e ao vice-presidente Hamilton Mourão, general de Exército, o presidente da República abraçou o Exército em um gesto de blindagem à atual crise. Frisou que poderão, juntos, fazer o país “dar certo”. “Prezado general Mourão, obrigado por ter aceito essa nobre missão. Meus 22 ministros, obrigado pela confiança que têm em mim porque, obviamente, a recíproca é verdadeira. Só nós, em um primeiro momento, podemos, sim, unidos, dar esperança ao nosso povo brasileiro”, ponderou. 

Ver galeria . 11 Fotos Handout © 2019 Planet Labs, Inc / AFP
(foto: Handout © 2019 Planet Labs, Inc / AFP )


Com o mundo de olho no Brasil, diante das atuais queimadas de grandes proporções na Amazônia, Bolsonaro deu o recado que vem sendo dado de que não admitirá interferências externas que julgue terem viés não-altruísta. “O Brasil mudou. Está sob nova direção e ele vai dar certo. Acredito no povo. Esse povo, ao qual devo lealdade absoluta. Acredito nas instituições, nos homens e mulheres dessa pátria maravilhosa”, afirmou. 

As outras vezes em que Bolsonaro disse que o Brasil “está sob nova direção” sempre estiveram associadas à viagem dele em Osaka, no Japão, para a cúpula do G20. Na ocasião, ele conversou com o presidente da França, Emmanuel Macron, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, sustentando que a atual gestão não admitirá ingerências de outros países. O entendimento dele é que o interesse de nações europeias na Amazônia não são altruístas, mas, sim, por viés econômico e de exploração das riquezas na região.  

Guerra da informação

O futuro do país, destacou, destacou, “só depende da ação de cada um de nós”. “Repito aos meus ministros, o que há de mais importante em cada um de nós é a confiança mútua e, juntos, nós atingiremos nossos objetivos. Meus irmãos militares e população brasileira, vamos marchar para o sucesso”, declarou. Sucedeu o discurso reiterando que “não falta” inimigos “como os de sempre” para enfrentar. “Que teimam em ganhar a guerra da informação contra a verdade”, afirmou. 

A “guerra da informação” é um termo que Bolsonaro usa quando se referiu nos últimos dias para criticar Organizações Não-Governamentais (ONGs) que, para ele, possam estar associadas às queimadas. Nessa “guerra”, ele acredita que as organizações possam estar vencendo, por supostamente transmitirem a imagem a nível nacional e internacional de que o governo é o “vilão”. “É isso que o tempo todo tendo alertar o povo”, declarou o presidente na quarta-feira (21/8). 

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