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Estimativa da população do Brasil passa de 210 milhões, diz IBGE

O crescimento absoluto da população em um ano foi 1.652.225 pessoas, o que representa aumento de 0,79%

Thaís Moura*
postado em 28/08/2019 08:54
Estimativa da população do Brasil -  (foto: Wilson Dias-ABR)
Estimativa da população do Brasil - (foto: Wilson Dias-ABR)
São Paulo concentra maior número de habitantes com 45.919.049Com 210,1 milhões de habitantes, o Brasil teve crescimento populacional de 0,79% entre julho de 2018 e julho de 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados divulgados hoje (28/8), no entanto, mostram uma queda do crescimento quando comparado a 2018, quando a taxa foi de 0,82%. O município de São Paulo foi considerado o mais populoso do país, com 12,25 milhões de habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro (6,72 milhões), Brasília (3,0 milhões) e Salvador (2,9 milhões). Segundo o IBGE, a tendência é que a taxa de crescimento permaneça em queda.

"A tendência desse crescimento é continuar caindo. O IBGE projeta que, a partir de 2048, a população deve começar a reduzir no Brasil, com uma taxa de crescimento negativa", afirmou o pesquisador do IBGE, Marcio Minamiguchi. Ele ainda explicou que a queda do crescimento populacional evidenciada este ano se deve principalmente ao "processo de envelhecimento da população". "É algo que já ocorre em países desenvolvidos. Com um maior número de idosos, a tendência é crescer a quantidade de óbitos, então a taxa diminuiu em função disso", disse.

Já Marcelo Neri, diretor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Social, explica que isso ocorre por causa da "transição demográfica". "Embora a população esteja vivendo mais, a cada 3 anos ganhamos 1 ano de expectativa de vida, e a fertilidade está caindo rapidamente. Hoje, as mulheres têm menos de 2 filhos, e ainda tem o fator da migração, que não é tão relevante no Brasil", constatou o especialista.

Para Neri, a redução da população brasileira impõe desafios fiscais, tanto na área da previdência quando da saúde, no entanto, é positiva para a política educacional. "Com uma maior expectativa de vida, é possível alongar a jornada escolar, tentar melhorar a qualidade da educação. Ao mesmo tempo que impõe desafios de ter mais idosos, pelo ponto de vista da previdência, de políticas de saúde, com custos cada vez mais altos, é uma boa notícia para a política educacional. A maior expectativa de vida talvez seja a melhor notícia que a gente possa ter na nossa sociedade", esclareceu.

Dos 210,1 milhões de habitantes totais, 50 milhões vivem nas 27 capitais brasileiras. A quantidade representa, em 2019, 23,86% da população total. A capital com maior taxa de crescimento geométrico no último ano é estimada para Boa Vista, 6,35%, e, a menor, para Porto Alegre, com 0,32% de crescimento. Já a população de Brasília cresceu 1,36% de 2018 para 2019. Segundo o diretor da FGV Social, essa taxa é positiva, acima da média, e reflete o "alto nível educacional da população brasiliense". "Em Brasília, o vento ainda está soprando a favor, e no Brasil, começa a soprar contra. A capital também tem uma forte migração, pelo fato de ser capital, de ter sido estabelecido há pouco mais de 50 anos. É uma área jovem que atrai imigrantes pelo fato de ser a capital do país, mas de alguma forma esses atributos demográficos conferem uma certa dinâmica econômica maior do que outros lugares", concluiu Marcelo Neri.

No ranking dos estados, segundo dados do IBGE, os três mais populosos estão na região Sudeste, e os cinco menos populosos, no Norte. O maior deles é São Paulo, com 45,9 milhões de habitantes, concentrando 21,9% da população do país. Roraima é o estado menos populoso, com 0,3% da população total (605,8 mil habitantes). Os dados do Instituto também estimam que, em 2019, 57,4% da população brasileira (120,7 milhões de habitantes) se concentra em apenas 5,8% dos municípios (324 municípios), que são aqueles com mais de 100 mil habitantes. Por outro lado, na maior parte dos municípios (3.670 municípios), com até 20 mil pessoas cada, residem apenas 15,2% da população do país, ou seja, 32,0 milhões de pessoas.

Entre os 17 municípios cuja população ultrapassa um milhão de habitantes, 14 são capitais estaduais, que concentram 21,9% da população do País, ou 46,1 milhões de pessoas. Apenas entre os municípios menos populosos, 25 têm população inferior a 1.500 habitantes, sendo que três deles possuem população inferior a 1.000 habitantes. São eles: Serra da Saudade (MG) com 781 habitantes; Borá (SP), com 837 habitantes e Araguainha (MT), com 935 habitantes.

*Estagiária sob supervisão de Rozane Oliveira

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