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Correio Braziliense

Relatório expõe problemática na Amazônia sobre desmatamento

Estudo foi realizado pela ONG Human Rights Watch. Em 169 páginas, o documento também mostra o "fracasso" do Brasil em punir os responsáveis pelos danos ambientais


postado em 17/09/2019 14:14 / atualizado em 17/09/2019 16:17

(foto: Pierre Lesage/Flickr)
(foto: Pierre Lesage/Flickr)
A problemática da Amazônia ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (17/9) com a divulgação de um relatório divulgado da ONG Human Rights Watch. O documento de 169 páginas expõe o “fracasso” do Brasil em investigar e punir os responsáveis pelo desmatamento na Amazônia, que segundo o relatório “é impulsionado por redes criminosas que usam da violência e intimidação contra aqueles que se colocam em seu caminho”. 

De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) presentes no relatório “Máfias do Ipê: como a violência e a impunidade impulsionam o desmatamento na Amazônia brasileira”, mais de 300 pessoas foram assassinadas nos últimos 10 anos por causa de conflitos pelo uso da terra e dos recursos da Amazônia. A grande maioria são pessoas envolvidas na extração ilegal de madeira. 

A impunidade é outro ponto para qual o documento chama atenção. Dos mais de 300 assassinatos, apenas 14 foram julgados. A ONG elaborou o documento com entrevistas com mais de 170 pessoas, sendo povos indígenas, moradores dos estados do Maranhão, Pará e Rondônia, servidores públicos em Brasília e na região Amazônica, representantes dos órgãos federais Ibama, ICMBio e Funai e outras autoridades públicas.

O documento também afirma que o presidente Jair Bolsonaro retrocedeu na aplicação de leis de proteção ambiental. Além disso, a ONG afirma que o atual governo enfraqueceu agências federais responsáveis e atacou organizações e indivíduos que trabalham na preservação da floresta. “O presidente Bolsonaro tem assumido uma postura particularmente hostil em relação às ONGs que defendem o meio ambiente e os direitos dos povos indígenas, alegando que elas ‘exploram e manipulam’ os indígenas”, diz o texto. 

Na próxima semana, Bolsonaro viaja a Nova York para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O discurso do presidente, que abre a cerimônia, terá justamente a Amazônia como tema central. A defesa da soberania brasileira na Região Amazônica será o cerne do pronunciamento do chefe do Executivo federal.

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