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Correio Braziliense

Alunos de escola pública nos EUA desenvolvem programa para uso no dia a dia

Empresa líder no setor patrocina escola pública de ensino médio, nos EUA, na qual alunos criam softwares para resolver problemas do dia a dia. No Brasil, companhia pretende lançar programa de capacitação de pessoas para o mercado de trabalho


postado em 21/09/2019 07:00

(foto: Valdo Virgo/CB/D.A Press)
(foto: Valdo Virgo/CB/D.A Press)
São Francisco — Ensinar crianças com câncer a conhecer a doença e a lidar com tudo de forma mais lúdica. Promover o fechamento das salas de aula em segundos, em caso de atentados. Trabalhar o emocional, para não desistir diante da primeira dificuldade em conseguir um emprego. Esses são alguns dos projetos de tecnologia feitos por adolescentes na faixa de 14 a 18 anos, que brotam nos Estados Unidos como a grama em Brasília, logo depois da seca. Fruto de um investimento de US$ 50 milhões ao longo de quatro anos numa escola pública de ensino médio, em Redwood City, na Califórnia.


A Design Tech High School, ou D. Tech, como chamam os estudantes, funciona dentro da megaestrutura da Oracle, a empresa de alta tecnologia que patrocina os projetos. Os estudantes, além das aulas normais do ensino médio, inglês e matemática, tiram as folgas de primavera e, às vezes, até parte das férias de verão para executar esses projetos. Foi pensando em amigos e alunos que passaram pelo trauma de tiroteios em algumas escolas nos Estados Unidos que Aiden e Jackson, ambos de 16 anos, largaram a diversão e mergulharam quatro meses no desenvolvimento de um sistema de “lockdown” para as salas de aula. Baixar cortinas, trancar portas e apagar as luzes pode ser feito com o toque de um botão virtual no tablet. O custo é de US$ 100 por sala. E olha que eles são juniores, ou seja, não chegaram ao último ano do ensino médio.

Enquanto eles trabalhavam nessa ideia, Kelley, Julia, Ellie e Lian, uma escadinha de 15 a 18 anos, desenvolveram o Journey of a cancer cell, um videogame de computador no qual a criança conhece o que é uma célula cancerígena e, ao longo do jogo, gotas douradas (a quimioterapia) vão reduzindo o tamanho da célula doente.

Juan Zaragosa, de 15 anos, optou por outro tipo de jogo: um que ajuda as pessoas a procurarem emprego e, ao mesmo tempo, não fechar os olhos para o problema dos sem-teto, algo que incomoda e muito a Califórnia, em especial San Francisco. O jogo mostra como uma pessoa pode não conseguir um emprego, mesmo quando faz tudo certo. E aí, vai morar na rua e começar tudo de novo em busca de uma colocação no mercado.

Porém, nem só histórias tristes movem os sentimentos dos jovens desenvolvedores de projetos. Kevin,17 anos, desenvolveu um sensor que marca a velocidade, o ângulo e a força do lançador de baseball, que já provoca interesse dos times locais. Kayla, Kasvi e Madeleine preferiram sensores que, acoplados às alças de uma mochila, indicam a direção a seguir — “se o sensor à direita vibrar, é essa a direção que a pessoa deve tomar, por exemplo”, explica Madeleine, 15 anos.

A D. Tech é o que os americanos chamam de “charter school”, ou seja, é uma escola pública, mas funciona de forma quase que independente. Hoje, são 552 alunos. A primeira turma, de 138, se formou no ano passado. “Além das aulas tradicionais, os alunos recebem aulas de programação, engenharia elétrica e de como pensar o design”, explica a diretoria executiva da fundação, Colleen Cassidy.

Brasil

Ainda não há projetos para que Oracle patrocine esse tipo de escola fora dos Estados Unidos, mas isso não significa que os olhos para os problemas sociais estejam fechados. No Brasil, além das parcerias com universidades, que a empresa já tem, a ideia é treinar pessoas para ocupar as vagas de tecnologia existentes no mercado que terminam desocupadas por falta de capacitação. Haverá, inclusive, um programa voltado para isso, o Oracle Neste Education (One) a ser lançado em breve. “No Brasil, são 13 milhões de desempregados, porém, há 300 mil vagas na área de tecnologia desocupadas, porque as pessoas não têm formação”, diz o presidente da Oracle Brasil, Rodrigo Galvão, que começou na empresa aos 19 anos e, hoje, tem 37.

Já é consenso no mundo tecnológico que o futuro passa por conhecimento em programação de dados. Algo que Aiden, Jackson, Kelley, Lian, Julia, Ellen Madeleine e tantos jovens americanos já sabem, embora nem todos queiram tecnologia. Lian quer ser designer, talvez de interiores, ainda não sabe. Ellie quer ser designer “de qualquer coisa”. Kelley quer trabalhar em terapia ocupacional. Sinal de que a programação vai se espalhar por várias áreas. Para quem quer sobreviver, e bem, melhor ingressar nesse mundo.

A repórter viajou a convite da Oracle

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