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Correio Braziliense

Corpo de Ágatha Félix é enterrado em cemitério do Rio de Janeiro

Menina de 8 anos morreu após ser atingida nas costas por um disparo de fuzil na sexta-feira (20/9). Tiro partiu da arma de um policial militar, segundo a família


postado em 22/09/2019 18:30 / atualizado em 22/09/2019 18:53

(foto: CARL DE SOUZA / AFP)
(foto: CARL DE SOUZA / AFP)
A família de Ágatha Vitória Sales Félix, 8 anos, e milhares de moradores do Complexo do Alemão, da Zona Norte do Rio de Janeiro, se despediram da garota na tarde deste domingo (22/9), no Cemitério de Inhaúma, também na Zona Norte sob um misto de indignação e tristeza. Na noite da última sexta-feira (20/9), a menina morreu ao ser atingida nas costas por um tiro de fuzil enquanto voltava para casa em uma kombi ao lado do avô. O disparo que a matou foi efetuado por um policial militar, afirma a família da garota.

 

No enterro de Ágatha, a família da menina pediu justiça e protestou contra o govnernador do Rio, Wilson Witzel (PSC). “Vamos ver até quando esse governo vai acabar com as famílias, vai acabar com o futuro promissor das nossas crianças”, disse o avô de Ágatha, Ailton Félix. Um dos poucos familiares que encontrou forças para falar à imprensa, ele ainda disse que "ela (Ágatha) está no céu, que é o lugar que ela merece”.

 

Um homem que se identificou como o motorista da kombi, mas que não quis ter o nome revelado, também esteve no cemitério. Segundo ele, não aconteceu nenhum confronto entre polícia e traficantes na noite da morte de Ágatha. A versão foi apresentada pela corporação.

 

"Aqui se mata inoncente, e não teve tiroteio nenhum. Foram dois disparos que ele deu. (A polícia) falou que foi tiroteio de todos os lados... É mentira, mentira!", esbravejou o motorista.

 

A mãe de Ágatha foi uma das pessoas mais consoladas no sepultamento. Como forma de homenagem à filha, a mulher carregou uma boneca da filha durante toda a cerimônia. Além disso, diversas pessoas que compareceram ao enterro levaram balões de cor amarela.

Investigação

As investigações sobre a morte de Ágatha estão a cargo da Divisão de Homicídios da Capital (DHC) da Polícia Civil do Rio de Janeiro, mas a Corregedoria da Polícia Militar também abriu procedimento para apurar a atitude dos policiais envolvidos no episódio. De acordo com a DHC, parentes da menina, o motorista da Kombi em que ela estava e outras testemunhas já prestaram depoimento. 

 

Além disso, o veículo já foi periciado. Na segunda-feira (23/9), os investigadores vão interrogar os policiais militares que participaram da ação no Complexo do Alemão, e suas armas serão recolhidas para realização de confronto balístico com o fragmento de projétil encontrado no corpo da menina. Ainda nesta semana, uma reconstituição do assassinato será feita para auxiliar o trabalho da Polícia Civil.

 

De acordo com o governo do Rio de Janeiro, criminosos fizeram ataques simultâneos em diversas localidades do Complexo do Alemão na noite de sexta-feira, como na região da Fazendinha, onde estava Ágatha. Por conta disso, policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Fazendinha teriam revidado.

 

"Após confronto, foram informados por moradores que a menina tinha sido atingida e levada para o Hospital Getúlio Vargas", diz nota emitida pelo Executivo local. A versão é contestada pela família de Agatha, que negou ter havido confronto e relatou que os policiais atiraram contra uma motocicleta que passava na hora, atingindo Agatha dentro da kombi em que viajava. 

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