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Correio Braziliense

Juventude ainda precisa incorporar práticas sustentáveis, diz especialista

Estudantes se engajam em movimentos em defesa do meio ambiente e, cada vez mais, tentam influenciar gerações anteriores a mudar hábitos, mas, segundo especialistas, juventude ainda precisa incorporar práticas mais sustentáveis


postado em 06/10/2019 08:00 / atualizado em 05/10/2019 21:52

Grupo de Estudos sobre Direitos Animais e Interseccionalidades: movimentos de várias frentes se espalham (foto: Arquivo Pessoal)
Grupo de Estudos sobre Direitos Animais e Interseccionalidades: movimentos de várias frentes se espalham (foto: Arquivo Pessoal)
Líder de um movimento global de estudantes, que já realizou três greves em defesa da adoção de ações concretas com relação às mudanças climáticas, a adolescente sueca Greta Thumberg tem inspirado jovens no mundo todo na defesa da pauta ambiental. Especialistas acreditam que a juventude ainda tem que conciliar teoria e prática, ao incorporar o discurso no modo de vida, principalmente com relação ao consumo e ao descarte. As novas gerações estaão mais dispostas a adotar novos hábitos e já começam a mudar. Muitos tentam influenciar família e amigos a se engajarem em movimentos de preservação do meio ambiente. 

Um estudo encomendado pelas maiores empresas mundiais, realizado pela GlobalData, em março do ano passado, revelou que 70% da população mundial está reduzindo o consumo ou deixando de comer carne. A pecuária bovina é responsável por grande parte das emissões de gases do efeito estufa. No Brasil, a atividade responde por 17% das emissões nacionais.   

Esse tipo de mudança tem sido endossada, principalmente, pela  geração nascida após os anos 2000, os chamados millennials. “A principal pauta do Jovens Pelo Clima é não só falar, mas fazer a sua parte”, afirma Nina Abers, de 18 anos, líder do movimento em Brasília. Estudante de uma escola privada, ela afirma que, desde pequena, sente-se inclinada a temas ambientais, mas foi somente depois de conhecer o movimento que passou a se dedicar, de fato, à preservação. “Aqui em casa reciclamos todo o lixo e só usamos sacolas reutilizáveis. Reduzimos a carne, não usamos canudo, tentamos andar mais de transporte público do que de carro. Se todo mundo fizesse o mínimo, não teria tanto plástico nos oceanos”, afirma.

Para a professora da UnB e líder do Grupo de Estudos sobre Direitos Animais e Interseccionalidades (Gedai), Vanessa Negrini, os jovens estão preocupados com o futuro do planeta, principalmente com relação ao consumo consciente. “Essa geração é mais propensa a pensar no impacto ambiental. Há uma diferença brutal entre a minha geração e a atual. É um movimento crescente. Esses jovens estão mais conscientes”, afirma.

O diretor da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (Eco) e professor da Universidade de Brasília Leopoldo Costa Junior destaca que as pessoas devem incentivar práticas sustentáveis, como comprar em comércios locais, usar aplicativos especializados em entregas por bicicleta e feiras de troca. “É preciso pensar globalmente e agir localmente. Sozinho, dificilmente, alguém vai conseguir fazer a diferença no mundo, mas, quando milhões de pessoas fazem, surte um grande efeito. Os mais jovens são os que mais têm feito esse trabalho”, opina. 

Estudante do 3º ano do ensino médio em uma escola pública da Asa Sul, Jorge Luiz Freitas,17, morador do Guará 2, integra, com mais 30 alunos e funcionários, o projeto “Escola do Bem Viver”, que cultiva uma horta na escola. Ele e os colegas estão preparando uma proposta para o projeto Hortaliça, da Embrapa.  
 

Líderes internacionais


Para a consultora ambiental e fundadora da Youth Climate Leaders (Jovens Lideranças pelo Clima), Cássia Oliveira Moraes, 29, a liderança de Greta incentiva os jovens, mas o contrário também ocorre. “Greta está fazendo um grande trabalho, pois ela está conseguindo mobilizar a juventude porque muitos já estão sensibilizados”, opina. A consultora, que trabalha com treinamento e formação de jovens lideranças para atuação profissional com relação às mudanças climáticas, afirma que, mesmo os jovens que procuram o programa ainda não incorporaram totalmente hábitos de vida sustentáveis. “Felizmente, é uma geração bem mais disposta e que se esforça para mudar”, afirma.    

Dedicada a formar redes e a treinar jovens lideranças internacionais, em qualquer área do conhecimento, para atuar em frentes de trabalho que lidam com mudança climáticas, a YCL foi selecionada para a etapa nacional do programa Accelerate2030. Liderado pela rede de inovação Impact Hub e pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), o projeto estimula empreendimentos de alto impacto que atendam aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).  

Mais de 300 empresas inovadoras se inscreveram. O objetivo é conseguir financiamento para globalizar o projeto. De acordo com Cássia Moraes, há um crescente interesse da juventude por temas ambientais. Na última edição da imersão, a Youth Climate Leaders recebeu 500 pedidos de inscrição de 95 países. Os jovens que se inscrevem no programa e são selecionados passam por uma imersão internacional em diferentes países, onde fazem contatos, visitas, assistem a aulas e desenvolvem projetos conjuntos. 

Marcos Paredes é chefe de Unidade de Educação Ambiental do programa Brasília Ambiental. Segundo ele, a entidade conta com três propostas que agregam jovens do Distrito Federal. Um dos programas é o Parque Educador, que atende 26 escolas e mais de 3.600 alunos do ensino médio, por ano. 

*Estagiária sob coordenação de Cláudia Dianni

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