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Correio Braziliense

Em protesto, grupo de pescadores invade sede do Ibama em Salvador

O grupo denunciou que a atividade pesqueira foi prejudicada e que as manchas de óleos no litoral baiano terão como resultado um dano de difícil reparação ao meio ambiente


postado em 22/10/2019 15:55 / atualizado em 22/10/2019 16:00

A principal reivindicação é a tomada de providências em relação ao óleo no mar(foto: Bruno Brito/Agência A TARDE)
A principal reivindicação é a tomada de providências em relação ao óleo no mar (foto: Bruno Brito/Agência A TARDE)
Pescadores do Grupo Ambientalista da Bahia invadiram, no final da manhã, a sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em protesto ao derramamento de óleo nas praias do nordeste, que já chegou a Bahia desde a última semana. Com bandeiras e cantando palavras de ordem, denunciaram que a atividade pesqueira foi prejudicada e que as manchas de óleos no litoral baiano terão como resultado um dano de difícil reparação ao meio ambiente. Edson da Conceição Falcão, representante da Associação Quilombola de Santiago do Iguape e Movimento de Pescadores e Pescadoras do Brasil (MPPB), foi um dos coordenadores do protesto.

Falcão revelou que cerca de 25 mil famílias foram afetadas pelo desastre ambiental. “Nossa vida está abaixo de zero na linha da pobreza. Estou vendo a hora de pescadores e pescadoras irem a óbito de fome. Porque, a gente vai pescar e, quando traz nosso pescado, ninguém quer comprar. Nossa preocupação é não conseguirmos sobreviver mais. Nossa farinha, nosso café, nosso açúcar, como ficam se a gente deixar de vender? Quando a gente faz alguma coisa errada, existe um monte de lei para nos punir. E eles, como vão ser punidos?”, disse, em entrevista ao Bnews, informativo local.
 

De acordo com servidores do ICMBio, a principal reivindicação é a tomada de providências em relação ao óleo no mar, que está sofrendo o maior dano ambiental até hoje visto no país. Querem também o salário-defeso para ajudar na sobrevivência, visto anual das carteiras de pescadores e marisqueiras, material de proteção como chapéu, luvas, máscaras, camisas UV, sacos apropriados para a coleta, pá, carrinhos e material adequado de limpeza para as mãos após o trabalho. Além do superintendente do Ibama, os manifestantes convocaram ainda uma reunião com todos os órgãos envolvidos no Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), coordenado pela Marinha, que inclui Ministério Agricultura, Defesa Civil, Petrobras, Polícia Federal, Agência Nacional do Petróleo (ANP), além grupos e órgãos da secretaria estadual.

Mais de 40 entidades divulgaram uma carta aberta “em defesa da vida dos pescadores e pescadoras artesanais, das praias, dos estuários, da vida marinha”. No documento destacam que há cinco semanas do gravíssimo acidente que causou derramamento de petróleo ao largo da costa do Nordeste brasileiro. Esse é o maior desastre ambiental com petróleo em extensão no mundo, atingindo mais de dois mil quilômetros. “Embora exista um Plano Nacional de Contingência contando com expertise técnico-científica, experiência e treinamentos em vários Estados, só foi desencadeado recentemente, sendo que ainda não se evidencia ações concretas, deixando as populações, em particular, as comunidades de pescadores artesanais, assim como o meio ambiente, expostos aos impactos negativos do derramamento”.

Reclamam que as comunidades de pesca artesanal deveriam estar associadas às operações de monitoramento da contaminação e aos planos de contingência em razão de seu profundo conhecimento do meio marinho e da estreita dependência ao meio ambiente para sua sobrevivência. “Pelo contrário, o que se observe é sua marginalização das poucas medidas tomadas até agora”. E finalizam destacando que “medidas emergenciais sejam tomadas para garantir a dignidade das comunidades pesqueiras que se encontram em grave dificuldade”.

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