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Correio Braziliense

Membros do Greenpeace presos por ''atividades nocivas ao meio ambiente''

A PMDF deteve cerca de 17 ativistas do Greenpeace que participaram de protesto em frente ao Palácio do Planalto contra as ações do governo em relação ao derramamento de óleo no litoral nordestino


postado em 23/10/2019 13:48 / atualizado em 23/10/2019 13:52

O protesto ocupou duas faixas em frente ao Planalto e utilizou uma mistura de água, corante preto e amido de milho para simular petróleo(foto: Ed Alves/CB/DA Press)
O protesto ocupou duas faixas em frente ao Planalto e utilizou uma mistura de água, corante preto e amido de milho para simular petróleo (foto: Ed Alves/CB/DA Press)
Cerca de 17 ativistas do grupo ambiental Greenpeace foram detidos, nesta quarta-feira (23/10), após realizar um protesto, em frente ao Palácio do Planalto, contra a postura do governo em relação ao vazamento de óleo que atinge praias do Nordeste. Em nota, a Polícia Militar do Distrito Federal disse que o motivo da prisão foi suspeita de "atividades nocivas ao meio ambiente".

No protesto, os ativistas usaram uma mistura de água, corante preto e amido de milho para simular o petróleo cru que, desde setembro, polui o litoral nordestino e já atingiu 194 praias. O Corpo de Bombeiros e a PM fizeram a perícia do material que os ativistas espalharam em frente ao Planalto.

"Os manifestantes foram encaminhados à 5ª DP (Asa Norte) e poderão responder pela Lei 9.0605/98, a qual dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente", diz o comunicado da PMDF.

O protestoque começou por volta das 8h, logo após o hasteamento da bandeira, ocupou duas faixas em frente ao Planalto e utilizou também animais de pelúcia cobertos de óleo, imitação de barris de petróleo, tocos de árvores e uma réplica de moto-serra. 

Vestidos de preto, os ativistas da ONG levantaram faixas contra a política antiambiental do governo atual. Os cartazes continham frases como "Um governo contra o meio ambiente", "Brasil manchado de óleo" e "Pátria queimada, Brasil".

Ver galeria . 6 Fotos Ed Alves/CB/DA Press
(foto: Ed Alves/CB/DA Press )
 
 
O porta-voz de clima e energia do Greenpeace do Brasil, Thiago Almeida, declarou que a demora do governo em agir de maneira efetiva sobre as manchas de óleo é inaceitável. "A maneira ineficiente insuficiente deixa muito da responsabilidade nas costas da população afetada, que está se arriscando", destacou. 

Para a ONG, o Plano Nacional de Contingência não foi aplicado, diferentemente do que afirma o Planalto. De acordo com a organização, a agenda do governo é contra o meio ambiente e a favor do desmonte da gestão e proteção ambiental. 

"Ecoterroristas", diz ministro

A organização foi alvo de críticas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Em sua conta pessoal do Twitter, ele criticou a ação: "Não bastasse não ajudar na limpeza do petróleo venezuelano nas praias do Nordeste, os ecoterroristas ainda depredam patrimônio público", escreveu.

Semana passada, o ministro exibiu um vídeo, também no Twitter, sobre o trabalho de voluntários nas ações de limpeza das praia manchadas de óleo. Em seguida, divulgou Thiago Almeida cobrando ação das autoridades competentes e escreveu: "O Greenpeace 'explicou' por que não pode ajudar as praias do Nordeste… ah tá…".

Salles participou, nesta quarta-feira, do programa CB.Poder, parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília.

*Estagiária sob a supervisão de Humberto Rezende

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