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Correio Braziliense

Entidade prevê 48% de aumento global no diagnóstico de diabetes

O Brasil segue a tendência mundial e o número elevado de diabéticos mostra que o controle da doença no país ainda é problemático. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), 13 milhões de pessoas têm a doença


postado em 13/11/2019 06:00 / atualizado em 13/11/2019 18:07

(foto: AFP/Daniel Sorabji)
(foto: AFP/Daniel Sorabji)
Uma das prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, o controle de doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes, ainda enfrenta dificuldades no Brasil e no mundo. De acordo com os últimos dados divulgados pela Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês), está previsto um aumento de 48% de aumento global no diagnóstico da doença. Até 2045, a estimativa é de que 629 milhões de pessoas tenham o mal. Para conscientizar sobre esse crescimento, o Dia Mundial do Diabetes, nesta quinta-feira (14/11), traz como tema o cuidado pela família. 


O Brasil segue a tendência mundial e o número elevado de diabéticos mostra que o controle da doença no país ainda é problemático. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), 13 milhões de pessoas têm a doença. A mais recente pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizada em 2018, detectou que 7,7% da população adulta brasileira foi diagnosticada com diabetes no ano da pesquisa.

Para a presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, a endocrinologista Hermelinda Pedrosa, apesar de mais informações, a vida moderna traz obstáculos para a adoção de hábitos mais saudáveis — e, por consequência, um combate mais eficiente. “O Brasil tem um número crescente de pessoas com sobrepeso e obesidade. Até mesmo de crianças e adolescentes”.

Ela salienta que as pessoas estão comendo em maior quantidade e mais inadequadamente. “A vida moderna tem um cenário convidativo para o sedentarismo. A gente não gasta tanta energia como antes. Até para dirigir um carro é diferente”, avalia.

A médica explica que o tema da campanha foca na família pela importância que o núcleo do lar tem. “Tem um papel importante em diversas fases das doenças. Da prevenção até o controle e evolução”, diz Hermelinda. As mudanças de comportamento dos integrantes podem evitar complicações, que afetam coração, visão e sistema renal.

 

A falta de um diagnóstico precoce pode acelerar ainda mais o aparecimento dos efeitos do diabetes. Segundo a presidente da SBD, no Brasil 6.680 milhões de pessoas não sabem que têm a doença. “Um diagnóstico cedo pode ajudar, e até mesmo reverter, e evitar mais problemas. Aconselhamos a pessoa a identificar se tem um fator de risco e, principalmente, a partir de 40 anos, fazer exames anuais”, indica.

 

Os fatores de risco são: histórico familiar de diabetes, obesidade ou sobrepeso, sedentarismo, hipertensão arterial, histórico de diabetes gestacional.

Efeitos nas crianças

Os dados da pesquisa Vigitel mostram que a educação é uma grande influência na frequência do diagnóstico da população. Quem tem até oito anos de escolaridade (15,2%) é quatro vezes mais suscetível do que quem tem 12 ou mais anos de escolaridade (3,7). Já em relação à idade, a frequência da condição de diabético aumenta com que avança. Mas, vale ressaltar, não é somente quando se envelhece que se diagnostica o mal.

 

Ana Carolina Torelly é mãe de Rafael, que tem diabetes tipo 1 (foto: Arquivo pessoal)
Ana Carolina Torelly é mãe de Rafael, que tem diabetes tipo 1 (foto: Arquivo pessoal)
A diabetes tipo 1, por exemplo, geralmente é descoberta em crianças e adolescentes. É o caso do Rafael, 5 anos, filho de Ana Carolina Torelly, 41. O menino foi diagnosticado aos 12 meses. Na época, a mãe notou que o filho estava com muita sede e urinava além da conta. Ao procurar um médico, os exames confirmaram. A partir desse dia, a vida mudou.

“É uma doença que afeta a família e o engajamento de todos é fundamental para o bom controle. O diabetes do Rafa me trouxe uma visão muito diferente da alimentação”, explica. A partir das experiências que viveu com o filho, Ana Carolina decidiu criar um perfil numa rede social para interagir com outras pessoas que passam pela mesma situação.

 

Hoje, ela é quem dá as dicas e compartilha o dia a dia de uma mãe com filho diabético. “Percebi que estava ajudando outras pessoas. O que mais me alegra é o apoio que dou para mães que acabaram de receber esse diagnóstico”. Para ela, a chegada do diabetes na vida da família trouxe união, e até mais saúde para todos.

Conheça os tipos de diabetes

Tipo 1: ocorre quando o sistema imunológico ataca equivocadamente as células beta, que produzem a insulina. Isso faz com que o corpo libere pouca ou nenhuma insulina. O tipo 1 de diabetes concentra entre 5 e 10% do total de pessoas com a doença e é diagnosticado geralmente na infância ou adolescência.  


Tipo 2: ocorre quando o organismo não consegue utilizar adequadamente a insulina que produz ou quando não produz insulina suficiente para controlar a taxa de glicemia. 90% das pessoas com diabetes têm o tipo 2, que geralmente é mais comum em adultos. 

 

Diabetes gestacional: ocorre durante a gravidez da mulher por causa de mudanças no seu equilíbrio hormonal. A gravidez traz uma condição diabetogênica, já que alguns hormônios que são produzidos atuam como antagonistas da ação da insulina. No Brasil, o diabetes gestacional ocorre em 7% das gestações. A maioria das mulheres não desenvolve diabetes depois, mas uma pequena parte continua com a doença. 

 

*Além dos três tipos, que são as principais manifestações da doença, existem outros tipos como, alguns mais raros ligados a alterações genéticas e outros induzidos pelo uso de medicamentos, como o corticoide.

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