Publicidade

Correio Braziliense

Manifestantes protestam contra ministro Gilmar Mendes em BH

Participantes do movimento gritam 'Fora Gilmar' e pedem impeachment do ministro do STF


postado em 17/11/2019 21:43

(foto: Tulio Santos/EM/ D.A Press)
(foto: Tulio Santos/EM/ D.A Press)

A Praça da Liberdade em Belo Horizonte foi palco de manifestação pelo impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, na tarde deste domingo (17/11). Simpatizantes do governo do presidente Jair Bolsonaro se concentram no entorno do coreto, de onde lideranças discursavam e conclamavam os presentes a entoar palavras de ordem contra o Supremo.

Vestidos de verde e amarelo e com faixas pedindo, entre outras medidas, o fim da vitaliciedade e a instituição de concursos públicos para os cargos de ministros do STF, os manifestantes gritaram várias vezes  "fora Gilmar" e o chamaram de corrupto. Também bradaram contra o comunismo e o ativismo do Judiciário.

A psicóloga Valéria Imaculada, 52 anos, se fantasiou de Hulk e veio com o cachorro Estelar, vestindo uma roupa do Brasil.  "Estou verde de raiva com a corrupção no país. Tirar só o Gilmar não resolve o golpe do Judiciário", afirmou. Segundo Imaculada, o país vive uma ditadura da toga. "Tirar só ele não impede de soltar 200 mil bandidos".

A psicóloga disse estar "um tanto frustrada" com o governo Bolsonaro que, segundo ela, está sendo "politicamente correto demais da conta". "Uma coisa é negociar com a China e a outra é liberar para estudantes de lá vir para cá sem visto.  Estamos tendo os mesmos direitos lá?", questiona a manifestante, que disse ser a favor de uma intervenção e de uma nova constituinte no país. "A constituição já não representa a realidade do país", disse. 

Já aposentada Alda de Oliveira Frade Rios, 67, diz ser contra Gilmar, a favor de Sérgio Moro, e pela reeleição de Jair Bolsonaro em 2022."Ele (Gilmar) é injusto, só faz justiça para quem é poderoso. E a nossa Constituição é socialista, dá margem a interpretações, não deveria ser assim. É o cúmulo do absurdo isso", avalia.

Entre um discurso e outro, os manifestantes cantaram o hino nacional e ouviram músicas de apoio a Bolsonaro. Além de Gilmar Mendes, o aposentado Miguel Vilela, 69, criticou o ministro Dias Toffoli pelo pedido que fez para ter acesso a dados sigilosos de 600 mil pessoas, produzidos pelo antigo Coaf. "Os que estão lutando contra o Brasil tem de sair fora, o Bolsonaro tinha que ter tirado à força, invadido e trocado (os ministros), porque eles são contra o Brasil", disse.

A professora Helane Diniz Pereira, 53, argumentou que o STF está impedindo o país de sair do buraco  por gerar insegurança jurídica. "Isso faz com que os investidores deixem de trazer dinheiro para o Brasil, porque não há Justiça no país."

Com menor público em comparação com outros protestos, os manifestantes também repetiram cantos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT.  "Lula ladrão, seu lugar é na prisão" e "a nossa bandeira jamais será vermelha" foram algumas das palavras de ordem.  Não faltaram, ainda, gritos de apoio a Bolsonaro e recados contra a "ameaça do comunismo".

No coreto da praça,  os manifestantes também foram convidados a assinar, a partir de quinta- feira, a lista pela criação do novo partido do presidente Jair Bolsonaro, a Aliança pelo Brasil. O grupo aplaudiu e respondeu com gritos de "mito", quando o nome do presidente foi exaltado.

Outro recado passado a quem foi à Praça da Liberdade foi para usar o celular e as redes sociais para pressionar o presidente do Senado Davi Alcolumbre (Dem) a pautar o pedido de impeachment de Gilmar Mendes apresentado ao Senado.

Entenda o protesto

Gilmar Mendes foi um dos seis ministros do STF que votaram contra a possibilidade de prisão em segunda instância, decisão que já levou à liberdade políticos condenados como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro José Dirceu, do PT, e o ex-governador Eduardo Azeredo, do PSDB.

(foto: Tulio Santos/EM/ D.A Press)
(foto: Tulio Santos/EM/ D.A Press)


Mendes se tornou alvo preferencial dos bolsonaristas por ter mudado seu voto no julgamento. Na sessão, afirmou que a nova posição se deu por causa do “desvirtuamento que as instâncias ordinárias passaram a perpetrar em relação à decisão do STF em 2016 (quando a corte autorizou a execução provisória da pena)”. O ministro também se tornou um dos mais críticos à Operação Lava-Jato.

Apesar de ser alvo dos bolsonaristas, Gilmar Mendes também proferiu uma decisão recente que beneficiou um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Foi dele a ordem para que o Ministério Público e a Justiça do Rio de Janeiro parassem as investigações contra Flávio Bolsonaro até o julgamento de uma liminar concedida pelo colega Dias Toffoli, que mandou suspender os casos envolvendo dados do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A decisão do plenário sobre as liminares que paralisaram o caso Fabrício Queiroz está prevista para esta semana, na quinta-feira (21).

Os atos contra Gilmar Mendes espalhados pelo país, que ocorreram desde a manhã deste domingo, foram programados em mais de 20 cidades. No Twitter, os militantes virtuais colocaram a hashtag “BrasilContraGilmarMendes” entre os assuntos mais comentados do dia.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade