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Correio Braziliense

Cartaz contra racismo volta à exposição; oposição entra com representação

Rodrigo Maia consegue acordo com as bancadas negra e da bala, depois de parlamentares indignados com o vandalismo em exposição na Câmara protocolarem representações contra Coronel Tadeu


postado em 21/11/2019 06:00

Parlamentares da bancada negra recolocam o cartaz arrancado por Tadeu, depois que o presidente da Casa conseguiu um acerto com a bancada da bala(foto: Lula Marques/Fotopublicas)
Parlamentares da bancada negra recolocam o cartaz arrancado por Tadeu, depois que o presidente da Casa conseguiu um acerto com a bancada da bala (foto: Lula Marques/Fotopublicas)
Um acordo costurado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com a bancada da bala e a bancada negra, permitiu que o cartaz arrancado e rasgado pelo deputado Coronel Tadeu (PSL-SP), terça-feira, de uma exposição sobre racismo na Câmara, foi recolocada no lugar. A imagem foi remendada com pregos e um aviso foi exposto ao lado. “A bancada negra sabe que essa charge não representa toda a corporação e respeita os policiais que não corroboram para essas estatísticas e trabalham em prol do povo brasileiro”, diz.

A placa traz uma charge do cartunista Carlos Latuff, em que aparece um policial com uma arma fumegante na mão, e um rapaz negro estendido no chão, algemado e com a camisa do Brasil. No cartaz, lê-se “o genocídio da população negra”. Na reunião com Rodrigo Maia (DEM-RJ), deputados da bancada da bala afirmaram que a charge é uma agressão à PM e ameaçaram ir à Justiça caso voltasse à exposição – alguns, mais exaltados, admitiram a possibilidade de novamente retirá-la. Porém, com o acordo, os ânimos a princípio se acalmaram.

Na terça-feira, na Mesa e sentado ao lado de Tadeu, Maia disse que o ato era “muito grave”. “Hoje é um dia em que nós deveríamos estar defendendo a inclusão dos negros na política, em igualdade e oportunidade, e não agredindo cartaz que pode, inclusive, ser injusto com parte da polícia, mas isso nós deveríamos ter resolvido com diálogo, e não com agressão.”

Representações

Horas antes, o PT protocolou, na Secretaria-Geral da Mesa, pedido para que o Conselho de Ética instaure um processo por quebra de decoro parlamentar contra Tadeu. O Regimento Interno da Câmara prevê, para casos assim, punições que vão desde censura à cassação do mandato do parlamentar.

A representação define o ato de Tadeu como uma “manifestação racista de ódio” e diz que “a violência cometida contra a exposição é um símbolo da violência contra a população negra”. E traz ainda fotos do ataque do deputado e de quando recebeu, no plenário da Câmara, os cumprimentos do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) — que ficou conhecido por ter quebrado uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, do PSol, assassinada a tiros em 14 de março do ano passado.

Em outra representação, 14 parlamentares da oposição recorreram ao procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitando a abertura de inquérito civil e criminal contra Tadeu e Silveira. No documento, afirmam que a atitude do Coronel “não condiz com a postura esperada de qualquer cidadão, muito menos um parlamentar eleito”. Os deputados também destacam o discurso de Silveira, no plenário da Câmara, em apoio ao vandalismo do colega.

Limpando a imagem

Em seu perfil no Twitter, Tadeu procurou mostrar que não é racista. Em um dos posts, publicou o vídeo de uma entrevista que concedeu ao canal do youtuber Hicaro Teixeira, um jovem negro que na gravação diz que a charge destruída pelo deputado ofende a polícia. Já Tadeu fez um discurso contra o preconceito racial.

“Hoje é Dia da Consciência Negra, um dia que eu aprovo, eu apoio e eu sou um ferrenho combatente do racismo. Acabei de escrever no meu Twitter ‘say no racism’, para que o mundo saiba que eu sou contra o racismo de todas as formas”, escreveu.

Tadeu elogiou a exposição, que considerou “muito bonita”, mas disse que a charge estava fora do contexto. “Aquilo sim era um racismo contra os policiais militares.”

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