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Correio Braziliense

Nove morrem pisoteados em baile funk durante ação da PM, em São Paulo

De acordo com as autoridades, a confusão começou quando policiais realizavam a Operação Pancadão e foram atacados. Advogado considera ação ''desastrosa''


postado em 01/12/2019 14:26 / atualizado em 01/12/2019 19:28

Comunidade de Paraisópolis, onde ocorreu a tragédia(foto: AFP/Yasuyoshi Chiba)
Comunidade de Paraisópolis, onde ocorreu a tragédia (foto: AFP/Yasuyoshi Chiba)
Nove pessoas morreram pisoteadas durante um baile funk na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, na madrugada deste domingo (1º/12), durante uma operação da Polícia Militar estadual.

As identidades das vítimas não haviam sido divulgadas até a última atualização desta matéria, mas de acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, entre elas está um adolescente de 14 anosOutro adolescente, de 16 anos, foi identificado pela mãe.

 

De acordo com nota oficial divulgada pela pasta, a confusão começou quando a Polícia Militar realizava a Operação Pancadão na região. Operações desse tipo ocorrem desde o começo do ano e miram sempre bailes funks em comunidades da capital paulista.

Segundo o texto, "dois homens em uma motocicleta atiraram contra os agentes" e fugiram em direção ao baile funk, "ainda efetuando disparos, ocasionando um tumulto entre os frequentadores do evento".

 

Um registro policial, no entanto, reconhece que houve ação da Polícia Militar para dispersar a multidão por meio de "munições químicas", ou seja, uso de gás lacrimogêneo. Isso teria ocorrido após equipes da Força Tática serem chamadas para dar apoio, sendo recebidas com garrafadas e pedradas, segundo a PM.

A Polícia Civil e a Ouvidoria das Polícias do Estado de São Paulo informaram que vão apurar as circunstâncias da ação. O ouvidor das polícias, Benedito Mariano, disse que entrou em contato com a Corregedoria da PM e pediu que a apuração seja conduzida por esse órgão.

"Ação desastrosa", diz advogado

"Foi uma ação desastrosa da Polícia Militar porque gerou tumulto e mortes na comunidade de Paraisópolis, com a repressão ao baile funk. Todas as circunstâncias precisam ser apuradas, se de fato houve uma perseguição policial contra suspeitos ou se isso foi inventado como um álibi dos policiais", afirmou o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe).

 

"Mesmo tendo perseguição, não se justifica esse tipo de ação. Deveria ter um planejamento maior, já que ali estavam 5 mil pessoas. A polícia precisa estar preparada para evitar tragédias, desastres, mortes, tumultos, como esse que ocorreu em Paraisópolis", completou Alves.

 

Outros sete feridos

Com a confusão, nove pessoas foram pisoteadas e resgatadas ao Hospital do Campo Limpo, onde morreram. Ao menos outras sete pessoas ficaram feridas, necessitando cuidados médicos. No começo da noite de domingo, uma pessoa continuava internada.

 

De acordo com as autoridades, cerca de 5 mil pessoas estavam na festa. O caso foi registrado no 89º Distrito Policial (Jardim Taboão) e a Polícia Militar instaurou inquérito policial militar (IPM) para apurar as circunstâncias do acontecimento.

O governador de São Paulo, João Dória (PSDB), divulgou nota na internet lamentando as mortes e afirmando que determinou apuração rigorosa dos fatos.



Vídeos nas redes sociais

Após a tragédia, vídeos começaram a circular nas redes sociais mostrando os jovens que estavam no baile desesperados. Em um deles, um garoto apaece caído e desacordado no chão em meio a outros que protestam contra a ação da polícia.

Em outro, jovens aparecem encurralados em uma viela enquanto policiais militares os agridem. Segundo a Folha de S. Paulo, a PMSP vai incluir as imagens no inquérito para verificar a autenticidade das imagens.

IMAGENS FORTES A SEGUIR:





Com informações da Agência Estado

 

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