Publicidade

Correio Braziliense

Ministério identifica contaminação em sete lotes de cervejas da Backer

Seis lotes da Belorizontina e um da Capixaba, ambas produzidas pela empresa mineira Backer, foram contaminadas pelas substâncias dietilenoglicol e monoetilenoglicol


postado em 15/01/2020 18:54

(foto: AFP / DOUGLAS MAGNO)
(foto: AFP / DOUGLAS MAGNO)
O processo de fabricação das cervejas Belorizontina e Capixaba, pela empresa mineira Backer, contaminou ao menos sete lotes de bebidas, afirmou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nesta quarta-feira (15/1). Além disso, segundo a pasta, uma perícia feita na fábrica da cervejeira constatou que diferentes tanques que produziam novos exemplares das bebidas continham moléculas dos compostos químicos dietilenoglicol e monoetilenoglicol, considerados tóxicos e nocivos à saúde.

 

De acordo com a análise do Mapa, está contaminados seis lotes da Belorizontina (L2 1354, L2 1348, L2 1197, L2 1604, L2 1455 e L2 1464), e um da Capixaba (L2 1348). “Diante da suspeita de que a contaminação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol é sistêmica, ou seja, está presente no processo de fabricação da Backer, o ministério determinou o recolhimento de todos os produtos da cervejaria e a suspensão da fabricação, pois outras marcas podem estar contaminadas também”, disse o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Glauco Bertoldo.

 

Desde a última sexta-feira (10/1), o ministério fez a apreensão de 139 mil litros de cerveja engarrafada e 8.480 litros de chope fabricados pela Backer. Ao contrário do que divulgou a empresa mineira, o Mapa acredita que a contaminação das cervejas não aconteceu em apenas um dos tanques da fábrica. “Não é restrito do tanque 10”, garantiu Bertoldo.

 

“Inicialmente, existia uma hipótese de que essa contaminação estivesse restrita a um lote de produção ou a um tanque. Fizemos uma análise os controles de produção demonstram que os lotes que já detectamos como contaminados passaram por distintos tanques, afastando a possibilidade de ser um evento relacionado a um lote ou tanque específico”, reforçou o coordenador-geral de Vinhos e Bebidas do Mapa, Carlos Vitor Müller.

 

Tanto o dietilenoglicol quanto o monoetilenoglicol são substâncias utilizadas durante o processo de fermentação da produção de uma cerveja. Elas servem para resfriar a parte exterior do tanque que recebe o líquido que posteriormente se tornará a cerveja. Segundo Müller, as substâncias não são proibidas, e são constantemente utilizadas por resfriarem o tanque de forma mais rápida. Contudo, não podem entrar em contato com a cerveja, devido ao seu alto grau de toxicidade.

 

“A gente conseguiu evidenciar que a água que tem contaminação com monoetilenoglicol está sendo utilizada no processo cervejeiro. A gente não consegue ainda afirmar efetivamente de que forma ocorre essa contaminação desse tanque de água gelada, se é no tanque de água gelada ou se é em uma etapa anterior a esse tanque, nenhuma hipótese pode ser descartada nesse momento”, frisou Müller.

 

A principal suspeita é a de que intoxicação tenha acontecido durante o resfriamento, uma etapa de produção anterior à de fermentação. Müller explicou que o dietilenoglicol ou o monoetilenoglicol pode ter entrado em contato com a água utilizada para se resfriar o mosto, líquido proveniente da mistura entre malte moído e água quente.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade