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Correio Braziliense

Brumadinho: relatório aponta que água do rio Paraopeba está imprópria

Quase um ano após o desastre todos os 356 km de rio percorridos pelo SOS Mata Atlântica não teve melhora


postado em 23/01/2020 20:01

(foto: Paulo Filgueiras/Estado de Minas)
(foto: Paulo Filgueiras/Estado de Minas)
Quase um ano depois do rompimento da barragem de Brumadinho (MG), a Fundação SOS Mata Atlântica voltou ao local para analisar a qualidade da água do Rio Paraopeba, atingido pela tragédia no início de 2019. Segundo o relatório, os indicadores de qualidade revelaram que água está imprópria e sem condições de uso por todos os 356 km de rio percorridos. O resultado, de acordo com os pesquisadores da ONG, já era esperado. 

 

Apesar de já esperar por um resultado ruim, alguns pontos do relatório chamaram atenção. Em nove pontos de coleta a qualidade piorou de ruim para péssima em relação ao mesmo relatório feito em 2019 logo após o rompimento da barragem. “Muito pouco mudou e infelizmente as cicatrizes continuam abertas, no ambiente e na vida das pessoas”, avalia Malu Ribeiro, coordenadora da expedição e gerente da causa Água, da Fundação SOS Mata Atlântica. 

 

De acordo com ela, as chuvas na região acabam revivendo os contaminantes dos rejeitos e os níveis de metais se mantém elevados em diversos pontos. “Foram encontrados metais pesados na água, como ferro, manganês, cobre e cromo em níveis muito acima dos limites máximos fixados na legislação”, diz o relatório. A presença de metais e outros contaminantes na água não permite nem mesmo a vida aquática em 11 pontos de coleta.

 

Malu explica que a condição da qualidade da água do rio Paraopeba é sazonal e como a condição do rio é frágil uma recuperação completa é ainda mais difícil de prever. “O ideal é que haja um monitoramento sistemático e frequente com sistema de alerta porque em algumas época uma parte do rio pode estar apta para o banho e outras atividades, mas em outras pode ser que isso mude. Toda movimentação influencia nisso”, completa. 

Justiça 

“O resultado infelizmente era esperado, mas o que mais chamou atenção foi a forma com que as comunidades ainda esperam por justiça”, aponta Malu. Na última terça, 21, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou 16 pessoas por homicídios dolosos duplamente qualificados e por diversos crimes ambientais decorrentes do rompimento da barragem em Brumadinho. As empresas Vale S.A. e Tüv Süd Bureau também foram denunciadas pelos mesmos crimes ambientais.

 

“Mesmo com a denúncia e esse inquérito finalizado, a sensação que fica para a população é de muita impunidade. A Vale cercou o rio em toda a extensão e as pessoas que tinham uma relação com o rio, de lugar de lazer e encontro”, reforça a coordenadora da expedição. Para Malu, é preciso que se coloque na balança esses valores culturais.  

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