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Correio Braziliense

Entenda o que é o adenocarcinoma, o câncer de Ana Maria Braga

Apesar de ser um tipo comum de câncer de pulmão, esta não é uma doença exclusiva de fumantes ou ex-fumantes


postado em 27/01/2020 17:44 / atualizado em 27/01/2020 19:29

Ana Maria Braga informou nesta segunda-feira que está com um câncer no pulmão(foto: Reprodução/Instagram)
Ana Maria Braga informou nesta segunda-feira que está com um câncer no pulmão (foto: Reprodução/Instagram)
A apresentadora Ana Maria Braga informou, nesta segunda-feira (27/1), durante o programa Mais Você que está com um câncer no pulmão chamado adenocarcinoma. Para entender mais sobre o assunto, o Correio conversou com especialistas para saber as causas, tratamentos e prevenção desta doença que chamou atenção dos brasileiros no começo desta semana. 

 

A oncologista e coordenadora do Centro de Oncologia do Hospital Santa Lúcia, Patrícia Werlang Schorn, explica que há dois grandes grupos de câncer de pulmão: o de pequenas células e o de não pequenas células. O adenocarcinoma faz parte de uma subclassificação do segundo grupo. 

 

Apesar de ser um tipo comum de câncer de pulmão, conforme explicou Schorn, esta não é uma doença exclusiva de fumantes ou ex-fumantes. Porém, a especialista explica: mesmo em estado avançado da doença, a expectativa de vida é muito maior do que há anos.

 

"Conhecemos melhor a doença e tratamos de uma forma mais específica. O prognóstico do câncer de pulmão mudou muito para melhor em virtude da tecnologia disponível, o que permite a seleção adequada do tratamento", disse.  

 

O oncologista Daniel Marques da Rede D'Or São Luiz também concorda que os avanços da medicina nos últimos anos tiveram resultados surpreendentes. "O objetivo [hoje] é o controle. Mas, com o avanço dos tratamentos, hoje temos um grupo de pacientes que se beneficiam muito. No futuro breve, vamos poder falar em cura. Hoje, não podemos dizer isso, mas existem taxas de respostas completa e aparentemente duradouras", afirmou. 

 

 

Sintomas

 

"É relativo", informa a especialista. Há pessoas que não sentem sintoma nenhum, e depende do lugar em que o câncer está localizado. Por exemplo: quando o câncer é mais periférico e encosta na parede do tórax, as pessoas podem sentir dores ao respirar. Quando ele está mais centralizado, perto dos brônquios, podem ter mais falta de ar. 

 

Já Marques destaca alguns sintomas para ficar de olho: tosse, dor ao respirar, falta de ar e emagrecimento estão entre os principais sintomas. "Em níveis de rastreio, um estudo americano mostrou que fazer tomografia com baixa radiação, conseguimos diagnosticar mais precocemente esses tumores", disse. 

 

Prevenção 

 

Patrícia Schorn explica que só se faz prevenção de câncer de pulmão em pessoas que fumam ou que fumaram "É feita uma tomografia do tórax, sem contraste", explicou. Para isso, é necessário procurar um pneumologista. 

 

Para Daniel Marques, como qualquer outro tipo de câncer, é necessário ter uma boa qualidade de vida. "Evitar o tabagismo, alcoolismo em excesso, obesidade, fazer atividade física, ter uma vida saudável, baseada em uma dieta balanceada. Com isso, você acaba prevenindo outros tipos de câncer", acrescentou.  

 

 
Tratamento

 

O câncer de pulmão, quando é localizado, é curável com cirurgia. "Já a quimioterapia e a imunoterapia são modalidades de tratamento em sua grande maioria paliativas", explicou Patrícia Schorn. "Já a radioterapia é para aquelas pessoas que têm contraindicações a cirurgias." 

 

O que Patrícia Schorn deixa claro é que o câncer de pulmão tem uma abordagem terapêutica muito diferente, o que ocorre por causa da imunoterapia. "Mesmo que a doença esteja avançada e disseminada, temos um prognóstico ou expectativa de vida muito maior do que se tinha há um tempo", explicou. Isso porque hoje há o que se chama de medicina de precisão — que significa realizar uma biópsia do tumor, e a partir disso escolher um tratamento proporcional e específico para ele. "Medicina de precisão nada mais é do que buscar um achado dentro de um tumor e tratar esse achado. A gente age de forma muito precisa, controlando a alteração gênica que o tumor tem", completou.

 

Para Daniel Marques, a imunoterapia também é um grande fator revolucionário da medicina para ajudar no tratamento.  "O adeno é capaz de ter uma 'capa invisível' e nosso sistema imunológico não consegue reconhecer como uma célula ruim. A imunoterapia nada mais é do que tirar essa capa invisível e deixar nosso sistema muito mais ativo. A combinação de imunoterapia com a quimioterapia tem trazido resultados excelentes".  

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