Brasil

Embaixada da China recomenda que brasileiros não saiam do país asiático

Representação chinesa no Brasil diz que o país oriental tem boas condições para cuidar dos estrangeiros que se encontram na China, especialmente na cidade de Wuhan, epicentro dos casos de infecção do novo vírus

A Embaixada da China no Brasil sugeriu nesta sexta-feira (31/1) que os brasileiros que se encontram no país asiático permaneçam em solo chinês e não tentem regressar ao Brasil em razão do surto de coronavírus que já infectou mais de 9,8 mil pessoas na China e matou pelo menos 203. De acordo com a representação diplomática, a nação oriental adota “sérias medidas de controle” e tem “determinação, capacidade e experiência” para tomar conta de quaisquer cidadãos que estejam dentro do seu território, sejam eles nativos ou estrangeiros.

 

“Vamos colaborar com a comunidade internacional se tiver necessidade (de retirada de estrangeiros da China), mas achamos melhor, para esses cidadãos, ficar em um lugar seguro dentro da China em estado de quarentena. O nosso trabalho contra o coronavírus está avançando muito rápido e, em pouco tempo, teremos mais maneiras eficientes para lidar com esse caso. Estamos dando toda a atenção necessária”, disse o ministro encarregado de negócios da Embaixada da China, Song Yang.

 

“O governo chinês vai apoiar todos os estrangeiros que se encontram em Wuhan. A nossa preocupação é tomar uma cautela maior e evitar casos de transmissão desse vírus. Assim como os chineses, pessoas de qualquer outra nação vão receber o nosso tratamento. Se necessário, nossa atenção será redobrada. Todos serão tratados como nossos irmãos e irmãs”, reforçou Yang.

 

De qualquer forma, o corpo diplomático chinês garante que vai facilitar os pedidos de retirada elaborados por todos os governos que desejarem trazer os nativos de volta para os seus países, o que já foi feito por nações como França, Colômbia, Costa Rica e Estados Unidos. Por enquanto, Executivo federal do Brasil ainda não tomou nenhuma decisão oficial.  

 

“A China não mantém nenhum cidadão estrangeiro no país sob prisão domiciliar. Além disso, o governo chinês não proibiu a retirada dos cidadãos brasileiros. No entanto, até o momento não recebemos nenhuma solicitação formal do governo do Brasil para que os brasileiros que estão na China sejam retirados de lá. Essa deve ser uma decisão soberana de cada país e a China, obviamente, vai cooperar”, informou o ministro conselheiro da Embaixada chinesa, Qu YuHui.

 

“De toda a forma, toda retirada tem de ser cautelosa e bastante estudada. Temos de tomar cuidado para retirar qualquer pessoa da China e analisar caso a caso. Portanto, isolar essas pessoas dentro da China, mesmo sendo uma medida cruel, pode ser a mais eficiente. A Colômbia e a França, por exemplo, só transportaram seus cidadãos depois de eles cumprirem uma quarentena em uma região da China pouco afetada pelo vírus”, acrescentou.  

Chineses no Brasil

De acordo com a embaixada, os cidadãos chineses que chegam do exterior no Brasil são recomendados a permanecer em quarentena por um período de duas semanas. Além disso, para aqueles que manifestarem sintomas características da doença provocada pelo novo coronavírus, o ideal é que eles procurem a unidade hospitalar mais recomendada pelo Ministério de Saúde para o tratamento deste vírus. No Distrito Federal, por exemplo, o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) foi o escolhido pela pasta como referência para o recebimento de pacientes.

 

“Todos os passageiros chineses que chegam ao Brasil já estão conscientes de que têm de respeitar as medidas estabelecidas pelo governo brasileiro e pela nossa Embaixada, como cuidar de si próprio para evitar a transmissão do coronavírus. A nossa seção consular já está distribuindo os alertas para todos os cidadãos da China que desembarcam em solo brasileiro”, frisou Yang.

 

Os diplomatas destacaram que o governo chinês tem tomado medidas rigorosas no combate à proliferação do vírus e vão continuar trabalhando com “espírito de transparência e responsabilidade” para vencer a epidemia.

 

Tivemos uma experiência bem-sucedida com o surto da Sars (Síndrome aguda respiratória) em 2003. Em cinco meses, não eliminamos, mas controlamos o vírus. Aos poucos, ele desapareceu. Essa nova epidemia ainda não sabemos quando vai passar, mas é importante frisar que temos os recursos científicos necessários e vamos manter a cabeça fria para não sermos dominados pelo pânico. Além disso, temos um governo competente e mecanismos eficientes”, afirmou YuHui.