Publicidade

Correio Braziliense

Especialistas: teste rápido de covid-19 pode ajudar a pôr fim ao isolamento

Ainda não ofertada em laboratórios de BH, coleta sorológica permite identificar quem já desenvolveu anticorpos contra a COVID-19. Confira vantagens e desvantagens dos exames disponíveis


postado em 01/04/2020 10:07

(foto: Leandro Couri/EM)
(foto: Leandro Couri/EM)
A promessa de um teste rápido para coronavírus é esperança para o fim do isolamento social. Isso porque o resultado do novo exame liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode sair em até 30 minutos e identificar se a pessoas que já apresentaram sintomas de resfriados ou tiveram contato com infectados pelo Sars-CoV-2, o novo coronavírus, foram contaminadas. Se a pessoa testar positivo, teoricamente, está imune e livre para retornar às suas atividades, dizem especialistas.

No entanto, o novo método ainda não é utilizado em laboratórios privados de Belo Horizonte, que permanecem com o teste chamado RT-qPCR. Esse exame demora pelo menos dois dias para ficar pronto – com a alta demanda, o prazo tem aumentado cada vez mais. Mas cada um dos testes oferece vantagens e desvantagens (veja quadro).

A nova liberação da Anvisa se refere ao exame sorológico, também chamado de teste rápido, que detecta se a pessoa já produziu anticorpos contra o vírus. Ele analisa dois tipos de anticorpos, o IgM e o IgG. O IgM é o anticorpo que, quando está presente, mostra que a pessoa tem o vírus e seu sistema imunológico está produzindo anticorpos contra ele. O IgG positivo significa que a pessoa tem ou já teve contato com o vírus e já possui anticorpos que levam a uma possível resistência à COVID-19. Ou seja, o IgM indica infecção ativa e o IgG, anticorpos de imunidade.

Esse teste é feito com uma gota de sangue do paciente e fica pronto em 15 a 30 minutos. Entretanto, o paciente precisa esperar pelo menos sete a 10 dias após sentir sintomas de gripe ou ter tido contato com uma pessoa doente para que o resultado seja correto, pois esse é o tempo que leva para os anticorpos começarem a ser produzidos. Se feito antes desse prazo, o teste pode dar resultado falso-negativo, mas tem alta sensibilidade e especificidade se o período indicado já tiver transcorrido.
Atualmente o teste de RT-qPCR é realizado em maior escala. Ele é feito por meio da coleta de material da garganta e do nariz do paciente para detectar se a pessoa testada está com a infecção. Esse tipo de exame é capaz de detectar o vírus logo nos primeiros dias da doença; no entanto, o resultado pode demorar entre dois e seis dias para ser liberado.
 
Os testes sorológicos não analisam o material genético do vírus, mas, sim, a presença de anticorpos contra ele. Dependendo do resultado, o teste pode sugerir que a pessoa já teve contato com o vírus e se já desenvolveu resistência contra ele.
 
O médico oncologista André Márcio Murad defende que os testes rápidos sorológicos sejam usados primeiro para a população com risco de infecção diretamente ligado à sua atividade, como profissionais da saúde, policiais, bombeiros e trabalhadores de serviços essenciais. “Acho que o teste bem indicado e interpretado vai ser fundamental. A partir do momento em que o teste aponta que a pessoa está imune, ela tem passaporte para circular livremente”, defende Murad.

Sabe-se que o ser humano produz anticorpos contra vários patógenos, incluindo diversos tipos de vírus. Os estudos com o novo coronavírus ainda são muito recentes, mas acredita-se que a presença de anticorpos do tipo IgG indicaria uma possível resistência a ele. “Já houve testes em macacos, por exemplo, que adquiriram a imunidade ao Sars-CoV-2. Em estudos,  o soro de pessoas que se contaminaram e se curaram está sendo usado para tratar pessoas com quadros graves. Isso prova que a imunidade é inclusive passada adiante”, afirma o médico que é também pós-doutor em genética, professor da UFMG e pesquisador.

Impacto na economia 


Apesar disso, é importante ressaltar que o vírus pode sofrer mutação e futuramente pesquisadores tenham que voltar a estudar novos métodos de combate. Mas quanto ao micro-organismo que causou a pandemia, cientistas afirmam que ele é eliminado após o primeiro contágio. Essa é a premissa que faz a medicina se aliar à economia. “Minha sugestão como pesquisador, médico, professor e cidadão é que o governo disponibilize esses testes em massa. Se der positivo, a pessoa, teoricamente, não vai se infectar mais nem infectar outra pessoa. Essa é a vantagem da testagem em massa. Isso vai ter um impacto muito produtivo na nossa economia”, finaliza.
 
 
A reportagem do Estado de Minas consultou laboratórios da capital mineira que fazem o teste para a COVID-19. O Hermes Pardini informou que está validando metodologia para teste rápido, mas, “nesse momento”, a rede está “priorizando a realização dos exames de biologia molecular com a metodologia PCR, cuja demanda é muito grande em todo o país”. O resultado demora seis dias úteis e só é feito em domicílio e com pedido médico, custando R$ 298.
 
No Laboratório São Marcos também não é adotado o novo método.  No entanto, não é necessário pedido médico para a coleta e execução do exame PCR. O resultado sai em cinco dias úteis e pode ser feito em laboratório sob agendamento, custando R$ 290, que podem ser divididos em até seis vezes.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade