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Correio Braziliense

Laboratórios mudam rotina após pandemia do novo coornavírus

Queda superior a 70% no atendimento, unidades fechadas e aumento do serviço domiciliar mudam a rotina dos centros laboratoriais. Segurança é redobrada para garantir assistência


postado em 01/04/2020 15:45

Com vida alterada por causa do risco de contaminação da COVID-19, as decisões para o cuidado com a saúde têm sido tomadas dia a dia. Mudanças de rumo e previsões podem ser alteradas de acordo com as necessidades proeminentes. Por outro lado, há cenários bem definidos. É sabido que chegará o momento de sobrecarga dos laboratórios diante do pico da pandemia do novo coronavírus.


A demanda por exames crescerá exponencialmente para as instituições que ofertarem o teste, mas é preciso lembrar que a população continua adoecendo, que as demais doenças não desapareceram, que os pacientes crônicos precisam de atendimento com frequência maior e, portanto, essas unidades de saúde continuam funcionando e com o atendimento adequado. Claro, com ajustes.

Segundo critérios clínicos e medidas preventivas orientadas pelo Ministério da Saúde, o Grupo Pardini adotou desde 23 de março um plano de contingência para combater a infecção pela COVID-19. O atendimento ao público nas unidades de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo tiveram horários alterados. Algumas foram temporariamente fechadas para aumentar a estrutura de atendimento em domicílio em todas as cidades. As decisões foram avaliadas levando-se em conta a manutenção do atendimento emergencial a pacientes, via hospitais e laboratórios parceiros. 

Alessandro Ferreira, vice-presidente do Hermes Pardini, destaca que as várias iniciativas já tomadas, prevendo o que viria a partir de março, ou seja, as pessoas estão adoecendo, além do coronavírus, estão se confirmando: se exames opcionais, checape, entre outros sem urgência foram adiados, pacientes com doenças crônicas e quadros virais graves, como hepatite e HIV, têm procurado alternativa para consultas e precisam fazer exames especializados e de análises clínicas. 

“Há pacientes oncológicos que necessitam de ressonância, tomografia, PET, por exemplo. O que fizemos foi uma adaptação das unidades para atender os pacientes mais debilitados, com salas especiais, sem aglomeração, uso de máscara e higienização rigorosa. O cuidado foi com a mudança no processo de atendimento desse paciente”. O vice-presidente do Hermes Pardini diz que houve um leve aumento de quadros de Influenza, comum nesta época, assim como o aumento nos casos de dengue. Ele lembra que, apesar do coronavírus inflacionar e ser discrepante, já há um aumento do número de testes para dengue, tanto suspeito quanto positivo.

CONTRAINDICAÇÕES


Já com casos de H1N1 e dengue, Alessandro Ferreira alerta sobre a necessidade de a população se vacinar e evitar a comorbidade na época do coronavírus: “Tenho dito, está em casa, limpe o quintal, fique atento aos vasos das plantas. Não há registro no mundo da ocorrência da H1N1 e COVID-19 ao mesmo tempo e o Brasil tem um risco alto de isso ocorrer. A demanda pela vacina é mundial. O Hermes Pardini teve uma remessa, já acabou e a previsão é de que na próxima semana receberemos mais. Ainda há tempo, estamos na faixa segura e ideal para a vacinação porque o organismo necessita de tempo para reagir até o frio chegar”.

Quanto à procura por exames de imagem, Alessandro Ferreira conta que a chamada imagem pesada, como mamografia, tomografia etc, tem de ser feita nas unidades, obrigando o deslocamento do paciente. Ele conta que o Hermes Pardini até tem disponível o ultrassom móvel, mas o aparelho tem capacidade de atendimento limitada. Por outro lado, ele destaca que, com a queda de circulação de pessoas, o manejo do paciente dentro das unidades está mais fácil. “Estamos funcionando, disponíveis e preparados para atender com higienização ativa e não só com álcool gel, mas com desinfetantes específicos para a área de saúde. A equipe de laboratório é preparada e já está acostumada a lidar com doenças severas e infecciosas. Tivemos, sim, agudez dos cuidados.”

Alessandro Ferreira enfatiza que, por conta do coronavírus, não é possível fazer previsão a longo prazo: “Temos um comitê de crise que se reúne duas vezes ao dia e, às vezes, a decisão tomada pela manhã é incrementada ou modificada à tarde”. O que a rede de laboratório tem feito, revela o vice-presidente, é criar mais serviços para ajudar a população a ter mais acesso à saúde. “A curto prazo passaremos a oferecer a telemedicina, com o teleatendimento e a teleconsulta. Unidades que foram fechadas serão reabertas para cuidados especiais somente para idosos e pacientes crônicos, com o todo o preparo e agendamento de horário para dar maior segurança para tratar das outras doenças.” 

O vice-presidente conta ainda que, hoje, o Hermes Pardini está com uma equipe de atendimento domiciliar três vezes maior do que a pré-COVID-19, com capacidade para aumentar, e com dois serviços distintos. 

AUTOCUIDADO


Alessandro Ferreira alerta: é preciso cuidar das outras doenças. O diabético tem de ter atenção com a glicemia, assim como o hipertenso fazer seu controle. O sistema de saúde está sobrecarregado e, neste momento, o autocuidado tem de ocorrer com ainda mais disciplina. 

Vale destacar que o Hermes Pardini já retomou a coleta em domicílio do teste molecular para diagnóstico do novo coronavírus. Agora, além de atender mais de 500 hospitais em todo o Brasil, a rede oferece o exame para quem apresenta sinais da COVID-19, já tenha sido avaliado clinicamente e tenha pedido médico. Para isso, houve remanejamento interno para aumentar sua capacidade de atendimento domiciliar e produção laboratorial e investimento na contratação de pessoal e na compra de kits e equipamentos para ampliar os testes para o diagnóstico. O agendamento pode ser feito pelo www.examesemcasa.com.br, telefone ou WhatsApp por meio do número: BH e região metropolitana: (31) 3228-6200. E tem ainda o agendamento on-line pela loja virtual.

Para Mozart Chaves, diretor comercial e de relacionamento do laboratório Lustosa, que não faz o teste do coronavírus, a gestão está em deliberação para que, com a liberação de mais testes pela Anvisa, como os sorológicos, vir a ofertar. O grande impacto nos laboratórios até aqui foi o movimento, queda de 80%: “Por isso, suspendemos o atendimento em quatro unidades, reduzimos o horário e diminuímos o número de funcionários, entre 20% e 30% foram para casa a partir de hoje, 1º de abril. Na área administrativa, 20% entraram no sistema home office”. 

Mas ele enfatiza que, nas unidades em funcionamento, o atendimento ocorre normalmente, com os mesmos critérios de segurança, precisão e agilidade: “No operacional, com número menor de pacientes, o espaçamento dentro das unidades está mais fácil para administrar. Preconizamos as orientações da Anvisa e OMS e nossos funcionários seguem rotineiramente as normas EPI (Equipamento de Segurança Individual) como o uso de luvas, avental, óculos, agora, acrescido do uso horizontal da máscara. Diminuímos o tempo de assepsia dos laboratórios e nossa maior equipe é a da limpeza, intensificando os cuidados com as áreas comuns.”

Mozart Chaves destaca que o paciente está receoso, não quer fazer o dejejum, coleta o exame e vai embora rapidamente. Houve aumento do atendimento domiciliar. “Nossa capacidade é 100/dia e podemos expandir. Atendemos todo o protocolo de segurança, com cuidados a mais, como a proteção de sapatos, por exemplo. O resultado é pela web, mais tranquilo para todos. O serviço em casa, tradicionalmente, é mais procurado pelo público idoso, com destaque para o feminino acima de 60 anos. Caso o paciente prefira um horário determinado, a espera é de 24 horas, 48 horas. O preço médio para BH é de R$ 35.”

PNEUMOCÓCICAS


 Quanto aos pacientes portadores de doenças crônicas, Mozart Chaves conta que o comportamento mudou. Ou seja, como precisam de controle sistemático, eles têm agendado horário de menor procura. Por isso, aumentou o fluxo de ligação. “Mas ampliamos o serviço de call center e mantemos o maior número de atendimento no tempo hábil, sem espera adicional. Já a procura por exame de imagem caiu bastante. Diferente da procura por vacina da gripe, pneumocócicas, herpes zóster, que não estão disponíveis. A demanda é alta, mas há falta e não acredito numa reposição a curto prazo para a rede privada. Vão chegar, mas não temos data.”

Ricardo Dupin, médico e CEO do Grupo São Marcos, explica que houve queda de 70% do número de clientes, em virtude da redução de consultas eletivas e a consequente prescrição de exames. “Visando reduzir a circulação de colaboradores nas ruas e adequando à demanda reduzida, sem contudo impedir que pacientes crônicos e com necessidades agudas tenham acesso aos exames, fechamos 29 unidades e mantivemos 28 abertas. Em virtude da pandemia, adotamos desde 17 de março precauções determinadas pela Vigilância Sanitária Municipal, Ministério da Saúde, Sociedade Brasileira de Análises Clínicas e Colégio Brasileiro de Radiologia.”

Os cuidados, segundo Ricardo Dupin, incluem fluxo com segregação para pacientes que apresentem sintomas respiratórios, equipamentos de proteção individual compatíveis com a atividade do trabalhador (e uso racional), práticas de descontaminação e cuidados na distância mínima entre clientes. Com o intuito de evitar aglomeração de pessoas, a coleta para exames de COVID-19 são feitas apenas em horários específicos e com agendamento prévio.
Conforme os números levantados pelo Grupo São Marcos, houve queda superior a 70% na demanda de exames de análises clínicas e de quase 90% para exames de imagem. “Não observamos nenhum aumento significativo de nenhum teste, mesmo entre os destinados ao diagnóstico de Influenza ou dengue. O aumento de solicitações de COVID-19 recompõe menos de 5% do total de clientes no momento. Desta forma, suspendemos temporariamente o atendimento de algumas unidades.”

ADIAR EXAMES


Ricardo Dupin destaca que o atendimento domiciliar apresentou aumento de demanda nas coletas para COVID-19. “Como esse tipo de coleta é feita com cuidados de biossegurança mais complexos, acaba existindo um gargalo para sua execução.” Em relação aos demais exames, ele diz que não observou crescimento de demanda para coleta domiciliar. Entretanto, para permitir o acesso de pacientes com outras condições, que não a COVID-19, criou equipes móveis. Foram disponibilizados telefones alternativos de acesso, via WhatsApp, para facilitar o contato e agendamentos de coletas e vacinas. Os números estão disponíveis no site (saomarcoslaboratorio.com.br) e nas redes sociais.
 

O médico lembra que, para os pacientes que necessitam de controle e exames com maior frequência, devido à queda na demanda e no volume de clientes circulando nas unidades, há um ambiente controlado que, mantendo as regras de segurança não representa risco adicional. “Aos pacientes com sintomas respiratórios, orientamos que priorizem a coleta domiciliar. No entanto, caso compareçam às unidades, serão acolhidos em fluxo especial, com segregação e os devidos cuidados de biossegurança e descontaminação. A taxa domiciliar varia de acordo com a região e com a frequência de uso do cliente, podendo variar entre gratuita até R$ 35.”

Outra mudança dentro das unidades é que o tempo de espera reduziu drasticamente a 1/5 do usual, em decorrência da queda de demanda. “Certamente, existem casos de checape em clientes saudáveis ou exames periódicos de empresas, por exemplo, que podem ser postergados. Entretanto, é importante que todos os pacientes que tenham exames a fazer, discutam com seus médicos assistentes, se podem ou não adiar os procedimentos. Os testes laboratoriais e de imagem complementam o exame clínico. Desta forma, a decisão de adiar, sem esse contexto, pode agravar situações ou atrasar tratamentos.”

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