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PF alerta pais sobre invasões criminosas a babás eletrônicas

Estar atento ao modelo do equipamento e às atualizações do fabricante é fundamental

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 04/04/2020 20:43
 (foto: AFP / Frederic J. BROWN )
(foto: AFP / Frederic J. BROWN )
Estar atento ao modelo do equipamento e às atualizações do fabricante é fundamentalCom investigação em curso, a Polícia Federal (PF) verificou um crescente número de registros de invasões em dispositivos de segurança domiciliares, incluindo babás eletrônicas, realizadas por criminosos. Para não comprometer o trabalho, a instituição ainda não fala em números. Porém, mesmo com as averiguações em curso, foi emitido alerta para que os pais redobrem a atenção com esses equipamentos.

De acordo com a PF, é preciso estar atento às orientações dos fabricantes e às dicas de atualização, que têm como objetivo corrigir problemas de segurança. ;Caso não tenha confiança para atualizar o sistema da câmera, busque ajuda com um técnico ou um conhecido;, enfatiza o comunicado feito pela força de segurança.

As orientações são: verificar as credenciais de acesso do equipamento, trocar a senha frequentemente e identificar a existência de outros usuários configurados. Existem câmeras com possibilidade de inclusão de usuários para serviços de manutenção. Essa funcionalidade pode ser acessada remotamente por invasores sem o conhecimento do usuário.

Um dos primeiros registros em nível mundial desse tipo de prática criminosa ocorreu em 2014, com uma família de Cincinnati, nos EUA. Na ocasião, o equipamento emitiu vários gritos de ;acorde, bebê;, além de xingamentos e movimentos erráticos da câmera. As investigações apontaram que um cibercriminoso conseguiu invadir o sistema do aparelho que transmitia o vídeo pela internet.

Sistema de babá eletrônicaA Polícia Federal sugere que, na dúvida, se há o risco da câmera filmar a criança em condições vulneráveis ; no banho, enquanto dorme ou durante a troca de roupa, por exemplo ; desligue o aparelho por completo até que seja possível configurar de forma segura.

Para o servidor público Rodrigo Abreu, de 38 anos, pai de uma bebê de dois meses, a babá eletrônica é uma aliada, principalmente, no monitoramento noturno da pequenina. O Equipamento usado veio do Canadá e tem as funcionalidades de áudio e vídeo, além de se conectar ao Wi-Fi. ;Nunca percebemos nenhuma situação estranha como sons ou problemas no funcionamento;, diz aliviado o morador da Asa Norte, porém pretende investigar as informações do fabricante sobre possíveis atualizações.

Já o cientista social André Santoro, 33, pai de uma menina de pouco mais de um ano, afirma que usa o equipamento desde o nascimento da criança. Sobre o funcionamento, relata observar com frequência falhas na tela. ;Imaginamos ser falha de conexão entre os aparelhos;, imagina. Como o equipamento tem restrições de uso, como distância e acessos remotos, ele acredita estarem menos suscetíveis a ações de criminosos. No entanto, adota certas precauções como deixar tudo desligado quando não estiver em uso.
Sistema de babá eletrônica


Crimes cibernéticos

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do DF, não existe uma lei específica sobre os crimes cibernéticos ou pedofilia na internet, mas há legislação pertinente. Além do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) se ampara na Lei n; 12.015/09 do Código Penal.

Ainda conforme destaca a pasta, o combate à pornografia infantil e a crimes de pedofilia na internet no DF é feito diretamente pela DPCA e pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). A primeira aposta no lado humano e psicológico das vítimas. A segunda, específica na área técnica, centraliza esforços no trabalho de rastreamento dos possíveis criminosos.

A legislação descreve que configura crime de natureza pornográfica relacionado à pedofilia nas redes sociais baixar qualquer tipo de material, produzir registro sobre o assunto ou difundi-lo. Quando difundido, a pena pode subir.

A Polícia Civil do Distrito Federal disponibiliza canais de denúncia para essas situações, que podem ser feitas pelo 197, pela delegacia eletrônica (https://delegaciaeletronica.pcdf.df.gov.br/) e pelo drcc-atendimento@pcdf.gov.br.

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