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Correio Braziliense

Coronavírus: estudo alerta que escassez de UTIs é estimado para este mês

De acordo com estudo, BH e região metropolitana devem ter saturação de leitos de 27 deste mês a 1º de maio


postado em 07/04/2020 08:09

(foto: Cássio Santana/Divulgação)
(foto: Cássio Santana/Divulgação)
Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde alertam que os serviços hospitalares devem começar a sofrer escassez de leitos hospitalares e UTI e de ventiladores já neste início de mês. Estudo feito por pesquisadores indicam que a única forma de evitar o colapso do sistema de saúde brasileiro nas próximas semanas é construir hospitais de campanha, intensificar sem relativizações o isolamento social e aumentar radicalmente testes da população. “Há uma pequena janela de oportunidade para se preparar. A resposta deve ser imediata e exigirá  esforço conjunto da sociedade”, anotam os especialistas.

De acordo com o estudo, BH e região metropolitana devem ter saturação de leitos de 27 deste mês a 1º de maio, a depender da articulação entre as medidas paliativas implementadas. A exaustão de ventiladores mecânicos está projetada para ocorrer de 18 a 28 deste mês. Já o esgotamento dos leitos de UTI de BH e macrorregião de saúde deve ocorrer do início deste mês até o dia 13.

Para traçar diferentes cenários para a progressão do esgotamento de recursos, os cientistas articularam três grupos de variáveis (dois com duas variáveis cada e outro com três) que têm a capacidade de alterar paliativamente o cenário futuro. Essas variáveis dizem respeito à “ocupação hospitalar” (a possibilidade de se reduzir em 50% a ocupação média do ano passado, causada por outras doenças, para então se alocar mais leitos, leitos de UTI e ventiladores para casos de COVID-19), à relação “serviços públicos x privados” (considerando, por exemplo, a possibilidade do deslocamento de hospitais privados para o controle temporário do estado) e à “demanda por leitos de UTI” (se essa demanda estará na faixa de 5% ou de 12% dos casos).

Articuladas, essas variáveis possibilitaram que os pesquisadores projetassem 12 cenários para cada cidade/macrorregião. “Como estamos em uma etapa inicial de contágio, ainda é precoce estimarmos uma taxa de internação em UTI. Assim, foram adotados os cenários já relatados para China e Itália, com percentual de casos internados em UTI de 5% e 12%, respectivamente”, explica Lucas Resende de Carvalho, pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG, um dos autores do trabalho.

Contudo, o que o estudo mostra é que, mesmo combinadas, todas essas medidas paliativas são capazes de, no máximo, atrasar em cerca de uma semana o esgotamento generalizado de leitos, UTI e respiradores.
 

Hospitais particulares


Na rede particular, o diretor-presidente do Hospital Semper, cardiologista Carlos Eduardo Diniz Couto, informou que o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da unidade está com ocupação de 65%. A média é acima de 95%. Essa redução se deve à suspensão de atendimentos e cirurgias eletivas devido à pandemia. “Temos planejado a reestruturação do hospital desde o fluxo de entrada dos pacientes, com diferenciação de equipes médicas e local de atendimento com barreiras físicas entre pacientes com sintomas respiratórios e outros em geral.”

O Semper adquiriu 18 respiradores e recuperou outros oito que estavam em manutenção. São 48 leitos de CTI divididos em três unidades isoladas entre si, e 21 leitos preparados especificamente para o COVID-19. Além dos leitos de CTI, a unidade dispõe de ala de internação segmentada para receber os pacientes menos graves de Covid 19, “sem contato com os outros setores do hospital”. São 13 leitos, com possibilidade de ampliação conforme necessário. “Criamos para isso, mais duas equipes médicas de plantão em CTI e uma equipe clínica, específicas para atendimento de pacientes coronavirus com pneumologistas, infectologistas e clínicos gerais, além do suporte de todas as especialidades que aqui já atendem. Suspendemos todos os procedimentos eletivos cujo adiamento não causasse risco de vida para o paciente.”

“Temos sofrido muito com a dificuldade de aquisição e os altíssimos custos de EPI. Uma máscara cirúrgica que era vendida a R$ 0,10 hoje é ofertada por até R$ 5 por exemplo. Todos os nossos colaboradores receberam e estão recebendo treinamento para atuação frente à pandemia.” As projeções, segundo o presidente, “são as mesmas do estado quanto à perspectiva de aumento dos casos nos próximos 14 dias.” 

Já o Hospital Madre Tereza informou que foram criados 20 leitos de UTI, obedecendo uma reestruturação para se adequar aos procedimentos durante a pandemia, além de área específica para atendimento de casos suspeitos ou confirmados do novo coronavírus, sendo um setor de apartamentos e outro de enfermaria. Foi montada um comitê de gestão de crise, com reuniões diárias para “analisar dados da COVID-19 e orientar o corpo clínico de funcionários na tomada de decisões “auxiliando no estabelecimento de protocolos e rotinas de atendimento como a criação de um pronto-atendimento exclusivo para atendimento a pessoas com sintomas gripais, ou suspeitos na Portaria 2.” Foram suspensas as cirurgias eletivas e mantidas as de urgências e emergências e as cirurgias oncológicas. 

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