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Correio Braziliense

Especialistas discutem saúde e comunicação em tempos de coronavírus

O webinar marcou a estreia do programa Arena de Ideias


postado em 07/04/2020 12:04 / atualizado em 07/04/2020 12:33

(foto: Reprodução/Youtube)
(foto: Reprodução/Youtube)
Na manhã desta terça-feira (7/4) a In Press Oficina realizou o webinar Saúde e Comunicação Conectadas — Novas perspectivas para as lideranças em época de coronavírus. Os convidados foram o epidemiologista Jarbas Barbosa, subdiretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS); o educador Cláudio Thebas, publicitário, palhaço e escritor; e a jornalista Patricia Marins, sócia-diretora da In Press Oficina. Mediando a conversa esteve a jornalista Fernanda Lambach.

Para iniciar o assunto, o epidemiologista comentou como a comunicação deve ser trabalhada para auxiliar no combate à Covid-19. “Esse é um desafio sem precedentes. Algumas pessoas falam que, desde a gripe espanhola, não temos um desafio como estamos vivendo agora”, pontua. Ele pondera: “Estávamos preparados para uma das duas situações. Ou um vírus que tivesse muita velocidade de transmissão, mas uma letalidade baixa, como foi o vírus do H1N1; ou um vírus que tivesse mais letalidade, mas menos capacidade de transmissão, como eram dois primos da Covid-19”.

A combinação dessas duas coisas em um vírus, segundo o especialista superou a capacidade de preparação de muitos países, até de países ricos e desenvolvido.

Já sobre a situação na América Latina, “é um certo mosaico de situações”, define Barbosa. Enquanto o Equador mostra um cenário assustador, em alguns países do Caribe ainda se tem um número pequeno e nenhuma transmissão comunitária.

“Acreditamos que isso é apenas um estágio, eles rapidamente, em algumas semanas, vão evoluir para um estágio mais avançado, como outros países da América Latina já se encontram”, projeta. Ele ainda ressalta que as medidas de enfrentamento exigem uma participação muito grande da sociedade, que deve ser informada do que está acontecendo. “É uma situação muito desafiante, exige ações de saúde e exige também distanciamento social, quarentena”.

Exaltando a importância da comunicação, o subdiretor diz: “Não tem vacina definitiva contra as notícias falsas”. 

Na sequência, puxando para a área de comunicação, Patricia Martins destacou a importância de os jornalistas dizerem o que está acontecendo com informações precisas, de forma assertiva, transparente e confiável. Porém, ela também esclarece que vê muitas pessoas perdidas, com as informações desencontradas que são apresentadas.

“Essa não é só uma guerra contra o vírus, essa é uma guerra contra a desinformação”, explica.

Cláudio Thebas, falou sobre o convívio nesse período, e como ter uma escuta mais ativa. Para ele, esse é um momento especial. “Quanto mais conseguirmos revelar nossa humanidade, mais nos conectaremos”, diz. Ele ainda usa os números de aprovação das medidas de isolamento para destacar como as pessoas se conectam com a verdade, e não com a arrogância.

“O grande desafio do ponto de vista da escuta é reconhecer no outro a humanidade dele para ser capaz de empatizar com ele”, declara. Na sequência, define: “A compaixão é um caminho até o outro, a empatia é um caminho até onde o outro está”.

No webinar, Jarbas ainda destacou a falta de um mecanismo que possa coordenar as coisas na América do Sul.  “Uma coisa interessante nessa crise é que quase todos os chefes de Estado reconheceram que não é um problema só da saúde. Há um engajamento muito forte de presidentes e primeiros ministros. São os próprios chefes de estado que estão assumindo o comando das respostas”, complementou.

A conversa ainda tratou de informações contraditórias, sensacionalismo e a briga política. “Qual informação ouvir? A do ministério ou a do presidente?”, indagou Thebas. “Hoje existe um fenômeno de desintermediação, ou seja, eu confio muito mais nas minhas redes e grupos de WhatsApp do que na imprensa”, informou Patrícia.

Ela ainda aborda o assunto da politização das medidas tomadas. “Eu ouço muito dos grupos que participo sobre a politização da cobertura. Mas questiono, será mesmo? Afinal, uma crise alimenta a outra e vivemos uma crise de confiança. Esse vírus é o cisne negro que pegou todos de surpresa”.

E as máscaras?


Sobre as máscaras, o epidemiologista deu uma explicação esclarecedora. “Para deixar claro, máscara deve ser deixada para os profissionais de saúde. O que se está debatendo hoje é que uma máscara caseira de pano, pode ajudar se você precisa ir por exemplo ao mercado”, explica. “Essa máscara não elimina nenhuma das outras medidas recomendadas, como lavar as mãos, manter distância de outras pessoas. Não há uma evidência forte que faça uma diferença enorme, mas seguramente pode ajudar e ser um elemento a mais de proteção”. 
 
 

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