Brasil

Governador de MG diz não ter data para pagar servidores: 'Peço desculpas'

Apenas profissionais da saúde e da segurança já receberam uma previsão do governo

João Vitor Marques/Estado de Minas
postado em 07/04/2020 17:30
Romeu Zema, governador de Minas GeraisO governo de Minas Gerais ainda não definiu a data de pagamento de salários de parte dos servidores públicos. Em entrevista ao Estado de Mina, jornal do grupo Diários Associados, na tarde desta terça-feira (7/4), o governador Romeu Zema (Novo) pediu desculpas e disse que ainda não há como prever quando os recursos estarão à disposição.

;Peço desculpas. Eu não consigo tornar previsível o que não tenho como dar previsibilidade. Não é por uma decisão deliberada que estamos deixando de pagar. É porque, infelizmente, o recurso não existe. Temos de pagar na hora que o recurso entra no cofre. Não adianta, nem se eu quisesse, emitir um cheque e mandar para todo mundo se o cheque estiver sem fundo. Peço essa compreensão;, disse.

Nessa segunda-feira, o governo informou que servidores das áreas da saúde e da segurança ; serviços considerados essenciais em meio à pandemia do novo coronavírus ; receberão os salários nesta quinta. A previsão de pagamento dos demais, segundo Zema, será divulgada ;assim que for possível;.

Crise econômica

Zema atribui a incerteza sobre a data do pagamento ao momento econômico de Minas Gerais, que, assim como o resto do mundo, sofre em função dos reflexos da pandemia do COVID-19. De acordo com o governador, a arrecadação do estado caiu. Os gastos, especialmente os direcionados ao combate ao coronavírus, aumentaram. Por isso, ainda não há dinheiro em caixa para pagar salários.

;O estado, num mês normal, quero deixar muito claro para o servidor que está nos assistindo, tinha sempre uma arrecadação que se repetia de janeiro a dezembro. Havia uma repetição. Nos últimos 15, 20 dias, nós assistimos a uma situação totalmente excepcional e imprevisível. A média diária de arrecadação caiu drasticamente. Com isso, passamos a não ter condição de prever. É alguém que vendia todo dia 100 picolés e agora tem dia que vende cinco, 20, 15. Como essa pessoa vai fazer uma previsão se a estabilidade ficou totalmente afetada?;, questionou.

Nióbio

Em seguida, Zema voltou a falar sobre a venda dos créditos do nióbio pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) como solução para pagar o salário o 13; de 2019 de parte dos servidores. ;Tenho esperança. Estou empenhado pessoalmente, porque esse recurso é que vai proporcionar o pagamento que ainda falta do 13;, pois 15%, uma minoria, ainda não recebeu, e o salário que está atrasado;, disse.

Apesar de se dizer esperançoso, Zema admitiu que o momento econômico mundial dificulta as negociações. ;Não está descartada, mas quem acompanha qualquer tipo de noticiário hoje sabe que o mercado financeiro está praticamente todo paralisado. Não ocorre nenhuma operação. Nós tivemos a infelicidade de a operação ter sido lançada exatamente neste momento em que o mercado ficou parado. Já estamos conversando em Brasília com bancos oficiais para que eles assumam essa operação. Já que o mercado está parado, e é uma operação que dá resultado a quem fizer, comprar os títulos e papéis, por que não um banco oficial fazer isso?;, concluiu.

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