Brasil

Cientistas brasileiros estudam vacina dupla, para Influenza e Covid

Equipamento em desenvolvimento pode realizar teste para o novo coronavírus em um minuto, com reagentes nacionais, de acordo com o MCTIC

Simone Kafruni
postado em 15/04/2020 12:58
Equipamento em desenvolvimento pode realizar teste para o novo coronavírus em um minuto, com reagentes nacionais, de acordo com o MCTICO Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) divulgou, nesta quarta-feira (15/4), várias ações dos cientistas brasileiros no combate ao novo coronavírus. Além de descobrirem que um remédio já disponível no mercado teria até 94% de eficácia, desenvolvem equipamento capaz de testar a doença em um minuto e estudam vacina dupla, para Influenza e Covid-19. ;Hoje temos três focos: a busca de remédio para tratamento da Covid-19 e por vacinas e ampliação da capacidade de produzir testes e diagnósticos;, afirmou o ministro Marcos Pontes.

;Precisamos de testes e diagnósticos, em grande quantidade. Mas temos dificuldade de adquirir reagentes para que os exames possam ser feitos no Brasil. Isso é um problema sério;, disse. Segundo o ministro, o CT Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) trabalha para desenvolver um reagente nacional que tem a mesma performance dos internacionais. ;Um equipamento com inteligência artificial consegue detectar a presença da virose na amostra de saliva, iluminada por laser. Mesmo equipamento pode detectar outros problemas, como influenza, hanseníase;, destacou. O equipamento será conectado na rede, o que vai permitir que milhares de órgãos de saúde possam fazer exames. ;O aparelho faz a análise e retorna com o resultado um minuto;, disse.

O ministro ressaltou, ainda, que o sequenciamento do coronavírus é fundamental para conhecer a mutação que está no Brasil. ;O vírus vai mutando, então, nós temos um vírus nacional, por isso precisamos conhecer seu sequenciamento para fazer uma vacina que funcione para a versão mutante do Brasil;, explicou. De acordo com Pontes, o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis (RJ), tem o supercomputador mais poderoso da América Latina para identificar as vacinas mais apropriadas. ;Vacinas demoram mais do que o reposicionamento de drogas, mas a equipe está trabalhando com vacina dupla para Influenza e Covid-19;, detalhou.

;Quero somar essas coisas: em um futuro próximo, vamos realizar testes diagnósticos com mais amplitude, resultados mais precisos e acompanhamento e tratamento das pessoas com sintomas;, afirmou o ministro. As soluções, acredita Pontes, poderão desafogar o sistema hospitalar enquanto as vacinas ainda estão em estudo. ;O paciente com os primeiros sintomas vai numa unidade, faz o exame e, se testar positivo, o médico pode prescrever o medicamento. Ele volta para casa, passa um período em isolamento e consegue se livrar do vírus nesse período;, disse.

[SAIBAMAIS]A promessa do MCTIC é que, em maio, tanto o remédio com 94% de eficácia quanto os testes rápidos estejam funcionando. ;Lembro que ciência é teste. Mas há grande grande probabilidade de que tudo funcione bem. Se isso ocorrer, os testes clínicos e o remédio, teremos ferramentas efetivas para resolver os problemas. Ciência e tecnologia são o caminho para vencer a pandemia;, assinalou. O ministro ressaltou, ainda, que a ciência feita no Brasil é respeitada internacionalmente.

Articulação


Os dados gerados pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), fundamentais para subsidiar os testes clínicos, foram compartilhados com a RedeVírus MCTIC, responsável por articular a continuidade do estudo com pessoas infectadas pelo coronavírus. A rede também compartilhará este conhecimento com outros países que compõem a cooperação internacional, incluindo a Unesco que lidera uma frente global com ministros de Ciência, Tecnologia e Inovações e com os países do BRICS (grupo dos países Rússia, Índia, China, África do Sul, além do Brasil).

Segundo a pasta, o CNPEM tem infraestrutura e equipamentos de última geração, competitivos internacionalmente, para apoiar os avanços da pesquisa nacional, sendo referência para estudos de materiais. Lá está instalado o Sirius, o novo acelerador de elétrons brasileiro. O equipamento foi projetado para ser uma das mais avançadas fontes de luz síncrotron do mundo e com recursos para lançar a outro patamar as pesquisas que utilizam estruturas moleculares, como é o caso da área de descoberta de fármacos.

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