Há poucos dias à frente do Ministério da Saúde, Nelson Teich ainda não apareceu em coletivas, seja para informar a atualização de casos feita diariamente ou para detalhar novas medidas tomadas pela pasta no enfrentamento do novo coronavírus. O novo ministro, que assumiu na última sexta-feira, não esteve presente nem mesmo na coletiva diária realizada no Palácio do Planalto com os demais colegas de primeiro escalão dos governo. Ontem, somente o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, participou. As ações da Saúde foram detalhadas por meio de um vídeo, no qual Teich afirma que a saída do distanciamento social será “progressiva, estruturada e planejada”.
No vídeo enviado aos jornalistas, o ministro afirma que a previsão de compra de testes subiu de 23,9 milhões para 46,2 milhões, sendo que 24,2 milhões serão testes RT-PCR e os outros 22 milhões, testes rápidos. Sem dar muitos detalhes de como serão adquiridos, Teich afirmou que a medida ajudará no planejamento do fim do distanciamento social.
“Isso é muito importante para o nosso processo de usar os testes para melhor entender a doença, a evolução, e fazer um planejamento, um projeto, que já está sendo feito, para a revisão do distanciamento social”, afirmou.
Teich ainda explicou que os testes serão usados para que o Ministério entenda o que está acontecendo na sociedade. “Temos que deixar claro que testes em massa não significam testar a população toda. Não estamos falando em testar o país inteiro. A gente vai usá-lo de uma forma que as pessoas testadas vão refletir a população brasileira”, esclareceu.
Outra medida informada pelo ministro no vídeo foi a assinatura de um novo contrato para compra de 3,3 respiradores de uma empresa brasileira. Este é o terceiro contrato para obtenção desses equipamentos assinado com empresas nacionais. No total, a pasta fez um investimento de R$ 658,5 milhões na aquisição de 14.100 respiradores pulmonares.
“Essa combinação do diagnóstico, do tratamento e da preparação para saída do distanciamento social faz parte da estratégia da abordagem da Covid-19. Com isso, atuamos em três braços que são fundamentais: entender melhor a doença, preparar a infraestrutura para o tratamento e, com essa preparação, vamos desenhar o programa de saída progressiva, estruturada e planejada do distanciamento social”, avaliou o novo ministro.
Coletiva técnica
Uma das mudanças já notadas na gestão de Teich foi a ausência da tradicional coletiva técnica, que acontecia diariamente assim que o primeiro caso de Covid-19 no Brasil foi confirmado. Desde a última quinta-feira, quando o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta foi demitido, o encontro, que contava com a presença do secretário-executivo, João Gabbardo, e do secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, não acontece.
Questionado, o Ministério da Saúde respondeu que “informações sobre coletivas são com o Palácio do Planalto”. Apesar de não responder sobre a ausência das coletivas na sexta e na segunda, o Planalto informou que “há previsão de coletivas do Ministério da Saúde nos próximos dias” e que “os jornalistas serão avisados sobre elas oportunamente”.
A saída dos secretários escolhidos por Mandetta e outras mudanças ainda são aguardadas nos bastidores, mas não ocorreram.