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1° casamento virtual de MG tem noivos apaixonados e imprensa na plateia

Noivos trocaram alianças por videoconferência; modalidade é opção para quem deseja se casar no civil durante a pandemia, em que as aglomerações são desaconselhadas pelas autoridades sanitárias

Estado de Minas
postado em 30/04/2020 14:03
Efeito coronavírus: sem chuva de arroz e convidados, primeiro casamento virtual de Minas foi celebrado no Cartório de Registro Civil e Notas do Barreiro, em BHPelo poder investido no juiz de paz Leonardo Lima, na internet, nas câmeras e e em dois notebooks de 14 polegadas, Heloísa Helena Coutinho e Welton de Souza foram declarados marido e mulher às 10h desta quinta-feira (30).

Sem direito a chuva de arroz, abraços e cumprimentos de familiares e amigos, o casamento por videoconferência - primeiro desse formato realizado em Minas Gerais - foi celebrado no Cartório de Registro Civil e Notas do Barreiro, em Belo Horizonte.

Por determinação da Corregedoria-Geral de Justiça de Minas Gerais, assim serão realizadas todas as uniões civis do estado durante a pandemia de coronavírus, já que as aglomerações das cerimônias presenciais são favoráveis à propagação da Covid-19.

"Nossa conexão é muito forte", define a noiva, que já mora com o marido no Bairro Milionários, na Região do Barreiro. Refere-se não só à conexão afetiva, como também à conexão digital, presente na vida do casal desde o início do namoro. Heloísa conta que o relacionamento com Welton teve início pelas redes sociais, há um ano. "Ele me adicionou no Instagram, passamos a trocar mensagens e, desde então, não nos desgrudamos mais", relembra.

A virtualidade foi o único elemento não convencional a cerimônia. Do outro lado das câmeras, os nubentes se mantiveram fiéis ao script tradicional. Heloísa apareceu maquiada, bem penteada e de vestido branco, carregando um bouquet. O noivo, de camisa bem passada, abotoada até o pescoço. Os cabelos bem-acomodados com gel também denunciavam o capricho dispensado à aparência. O "sim" foi dito de uma unidade da Igreja Batista, denominação evangélica que os dois frequentam, ao lado de duas testemunhas, como exigem as leis do Código Civil Brasileiro.

;É de livre e espontânea vontade que você aceita Heloísa como sua como sua companheira em matrimônio?;, questiona o juiz de paz. ;É sim, respondeu Welson, transparecendo convicção e alegria, mesmo tom com que a cabeleireira respondeu a pergunta.

A troca de alianças, seguida de um beijo, arrancou sorrisos da imprensa, única plateia presente no salão do cartório. ;Ah, que lindos! Sejam muitos felizes;, desejou uma repórter de TV que cobria o evento.

Burocracia digital


Na celebração por videoconferência, o'sim' dos noivos registrado na gravação vale como como assinatura do registro de casamento. O juiz de paz Leonardo Lima e a oficial do cartório, Letícia Assumpção, são os únicos que assinam o livro

A oficial de registro do cartório do Barreiro, Letícia Franco Maculan Assumpção, explica que o matrimônio a distância não exigiu muitas adaptações. "O casamento tradicional é feito presencialmente, com os nubentes e duas testemunhas. O casal pode trazer quantas pessoas quiser para poder assistir (a cerimônia). Tendo em vista a necessidade de isolamento social, a Corregedoria de Justiça publicou uma portaria em 22 de abril, autorizando realização do ritual por videoconferência, detalha

Estreante na função de "celebrante virtual;, Leonardo Lima diz que, durante o ritual, tentou compensar o clima pouco caloroso do salão vazio, sem a usual algazarra dos convidados. "Busquei imprimir o máximo de emoção que as condições tecnológicas nos permitem", comenta.

[SAIBAMAIS]Sem romantismo, como de costume, a burocracia cartorária cobra seu preço pela inovação. Segundo a tabeliã Letícia, a união civil por meio eletrônico tem o custo extra de R$ 36,26, valor adicionado à taxa de R$ 500 já cobrada pelos tabelionados. As tarifas são fixadas pela legislação estadual. Ainda de acordo com a oficial, a adesão à videoconferência não é obrigatória para quem já estava com o casório marcado. Os ritos podem ser adiados para depois do surto global, opção feita, até o momento, por 200 cônjuges.

Para esta quinta-feira, há mais quatro celebrações virtuais marcadas no cartório do Barreiro, além de Heloísa e Welton. A tabeliã aposta nessa variante como uma tendência que veio para ficar. "Todo mundo agora faz compras pela internet, negócios... por que não celebrar casamentos pela internet? Eles oferecem a mesma segurança jurídica e garantia de que a união vai podo acontecer mesmo que os interessados não possam comparecer ao cartório", avalia.

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