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Chefes do Ibama que agiram contra garimpeiros são exonerados pelo governo

Exonerações de fiscais com perfil técnico que trabalharam contra ações ilegais em terras indígenas e de preservação são vistas como retaliação por servidores

Correio Braziliense
Correio Braziliense
postado em 30/04/2020 16:34
Exonerações de fiscais com perfil técnico que trabalharam contra ações ilegais em terras indígenas e de preservação são vistas como retaliação por servidoresOs dois principais responsáveis do Ibama pelas grandes operações de repressão a crimes ambientais cometidos por garimpeiros e madeireiros ilegais na região da Amazônia foram exonerados pelo governo federal nesta quinta-feira (30/5).

As baixas realizadas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e pelo presidente do Ibama, Eduardo Bim, ocorrem duas semanas após o fechamento de garimpos ilegais em terras indígenas do Sul do Pará.

Renê Luiz de Oliveira, que era coordenador-geral de fiscalização ambiental, e Hugo Ferreira Loss, que coordenava de operações de fiscalização, são servidores de carreira do Ibama. A exoneração do primeiro foi assinada pelo ministro e a do segundo, pelo presidente do Ibama. Ambas foram publicados no "Diário Oficial" na madrugada.

Segundo o Ibama, as trocas nos cargos foram solicitadas pelo pelo major da PM paulista Olímpio Magalhães, que assumiu a chefia da Diretoria de Proteção Ambiental (Dipro) há 15 dias, após a exoneração do então diretor da área, Olivaldi Azevedo. Substituição que também foi promovida pelo ministro Ricardo Salles.

Já, entre os fiscais do Ibama, os atos são vistos como retaliação às fiscalizações e repreensões contra garimpeiros e madereiros ilegai em terras indígenas e de preservação. Para expor a situação, um grupo de 16 servidores chegou a enviar uma nota à presidência do Ibama no último dia 21 solicitando a suspensão dos processos de exoneração.

Lista extensa de exonerações no Ibama


Em menos de um ano e meio de governo do Presidente da República, Jair Bolsonaro, a lista de fiscais exonerados do Ibama já é extensa. Ela inclui também José Augusto Morelli, que multou Bolsonaro em 2012 após ser flagrado pescando ilegalmente em uma reserva protegida no Rio de Janeiro; e Roberto Cabral, fiscal da mesma função que Hugo Loss. As duas exonerações feitas em 2019 também levantaram críticas de retaliação.

[SAIBAMAIS]Atitudes por parte de Bolsonaro abrem prerrogativa para as reclamações. O presidente já criticou o que chamou de "festa de multas" do Ibama, tornou pública a insatisfação com a queima de equipamentos flagrados em atividades ilegais na Amazônia, ação prevista por decreto de 2011.

Walter Mendes Magalhães Júnior, o coronel da PM de São Paulo que estava na superintendência do Ibama no Pará, foi nomeado para assumir o lugar de Renê Oliveira. E para o cargo de Hugo Loss, o substituto foi Leslie Nelson Jardim Tavares, também servidor do órgão.

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